Santa Agostina (Lívia) Pietrantoni

Mártir da caridade

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Isabel Orellana Vilches

MADRI, sexta-feira, 16 de novembro de 2012 (ZENIT.org) - Isabel Orellana Vilches nos apresenta Agostina Pietrantoni como a santa do dia. Uma vida que segue os passos daqueles mártires da caridade, martirizados pelas mãos de quem beneficiaram.

Ela nasceu em Pozzaglia, Itália, em 27 de março de 1864, no seio de uma família que fazia esforços descomunais para enfrentar o dia-a-dia. Como tantas infâncias que ainda neste século XXI sofrem e desgastam a vida em busca de sustento, avassaladas pela miséria, asfixiadas pela fome e pela nudez até de afeto, Lívia (seu nome de batismo) se viu obrigada a trabalhar duramente desde os 7 anos. Não brincava com bonecas, mas com os sacos de pedra e de areia que tinha que carregar como auxiliar em construções, além, a partir dos 12 anos, de trabalhar na colheita de azeitonas. Era a segunda dos onze filhos e os pais precisavam da sua ajuda.

Numa época histórica marcada pela crise em tantos lares, como o dela, o normal era as crianças colaborarem com seu grão de areia na economia familiar. Ninguém achava que fosse um roubo da infância, nem o que hoje qualificamos como exploração. O trabalho, mesmo tão árduo, não diminuía o carinho e a ternura que fluía entre todos na família.

Mas a naturalidade com que a sociedade de então aceitava esses fatos deu lugar às críticas agudas e às murmurações dos vizinhos quando, aos 22 anos, Lívia decidiu se tornar religiosa das Irmãs da Caridade, instituição fundada por Santa Jeanne-Antide Thouret. Em sua cegueira, levantavam o dedo para lhe apontar defeitos que não tinha, como a preguiça e a busca de uma vida fácil. Ela suportou com elegância os comentários maldosos e seguiu a Cristo quando a numerosa família deixou de crescer. Ao contrário do que os vizinhos pensavam, Lívia levava em conta a precária situação dos seus pais e irmãos, a quem ajudou sem questionar nem exigir nada, esperando com paciência pela hora de levar adiante uma vocação que descobrira no dia da sua primeira comunhão.

No hospital do Espírito Santo, cuidou primeiro dos pequenos e depois dos tuberculosos e dos doentes mentais, numa época em que os religiosos eram proibidos pelo governo de mostrar e compartilhar os sinais da sua fé. Com espírito caridoso e compassivo, alentada pela devoção a Maria, ela encarava dia após dia a sua tarefa em condições difíceis, tentando suavizar a violência que pulsava no coração dos pobres enfermos.

Um deles, Giuseppe Romanelli, especialmente conhecido pelos seus virulentos ataques de ira, se viu obrigado a deixar o hospital por decisão dos responsáveis pela instituição, que pretendiam, com isto, evitar males maiores. Mas Romanelli atribuiu a ideia à santa religiosa, a quem ameaçou de morte. Em 13 de novembro de 1894, invadiu o recinto hospitalar e cumpriu a promessa. Deu em Lívia sete punhaladas e deixou-lhe tempo apenas para perdoar seu agressor.

A religiosa, já então chamada Agostina, tinha 30 anos. Foi canonizada por João Paulo II em 18 de abril de 1999.