Santa Sé analisa crise global e suas soluções por meio da ética

Nas conclusões da sessão plenária da Academia Pontifícia para as Ciências Sociais

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CIDADE DO VATICANO, quinta-feira, 6 de maio de 2010 (ZENIT.org).- A crise econômica global e um olhar para reprojetar o caminho foram os principais temas da XVI Sessão plenária na Academia Pontifícia das Ciências Sociais que concluiu ontem na Cidade do Vaticano.

No encontro de 4 dias, participaram 50 personalidades de diferentes países, pertencentes ao mundo eclesial, acadêmico, mercadológico, financeiro e à sociedade civil.

A presidenta desse órgão, Mary Ann Glendon, ex-embaixadora dos Estados Unidos na Santa Sé, deu a conhecer as conclusões desse evento na manhã de ontem, em coletiva de imprensa.

A Academia Pontifícia para as Ciências Sociais foi fundada em 1994 pelo papa João Paulo II. O documento que guiou este órgão foi a encíclica Centesimus Annus, de João Paulo II (1991), e posteriormente a Deus Caritas Est, de Bento XVI (2006)

Nesta sessão, seus membros se focaram na encíclica Caritas in veritate (2009).

As discussões, tanto dos membros desta academia como dos especialistas convidados, focaram-se em três aspectos: os fracassos financeiros, reguladores e também os fracassos morais da atual crise. Por outro lado, analisaram também a atual crise na Grécia.

"A fragilidade do sistema econômico, foi em parte, consequência da dependência excessiva da especulação das atividades financeiras separadas por uma atividade produtiva em uma realidade econômica", garantiu Mary Ann Glendon.

Outros dois membros dessa academia - a professora Margaret Archer e o professor Partha Dasgupta - se referiram ao perigo do "financiamento" das relações humanas, cujas atividades, incluindo as familiares, permanecem baixas a mera dimensão comercial.

Um dos convidados dessa reunião, professor Stefano Zamagni, advertiu sobre os perigos de pensar sobre os negócios dessa forma, em que a corporação deixa de ser uma associação de pessoas e se converte em uma simples mercadoria. Ilustrou como o "financiamento" impõe uma ordem social que não só reduz a visão humana da pessoa, como também cria instabilidade na economia.

Outro ponto analisado neste encontro foi a influência da crise econômica nos países pobres, devido a que os países ricos desviaram a atenção que tinham neles para aliviar sua própria crise.

"A fim de proporcionar uma maior atenção sobre a situação de fome e saúde, a academia afirmou também que satisfazer estas necessidades básicas, especialmente as crianças desde o ventre materno, é uma contribuição decisiva para a produtividade econômica", disse Glendon.

"Um enfoque em uma reforma do instrumento financeiro não pode nos distrair das políticas básicas do desenvolvimento", assegurou a ex-embaixadora.

Nesta reunião, foram discutidos os princípios estabelecidos na Caritas in Veritate sobre a necessidade de criar um regulamento internacional mais forte, assim como medidas concretas sugeridas para garantir a transparência nos instrumentos financeiros e para evitar o risco moral dos salvamentos.

Referindo-se à atual crise econômica na Grécia, os especialistas focaram suas reflexões em uma maior regulamentação das finanças internacionais, medidas concretas para garantir maior transparência de alguns planos de resgate financeiro.

Sobre esse tema, Glendon afirmou também que não excluiu a possibilidade de novas estruturas europeias e de um novo tratado para melhor garantir os fundamentos da moeda única.