Santa Sé: as finanças estão hoje alinhadas com os padrões internacionais

Declarações de Rene Bruelhart, perito internacional nas atividades de combate à lavagem de dinheiro e ao financiamento do terrorismo

Cidade do Vaticano, (Zenit.org) Sergio Mora | 221 visitas

A Autoridade de Informação Financeira (AIF) da Santa Sé e do Estado da Cidade do Vaticano apresentou o seu relatório anual correspondente a 2013, que inclui as atividades e as estatísticas da AIF nesse período.

O relatório foi apresentado na Sala de Imprensa da Santa Sé pelo especialista internacional em atividades de combate à lavagem de dinheiro e ao financiamento do terrorismo, Rene Bruelhart, 40 anos, jurista suíço, que, durante oito anos, foi diretor da Financial Intelligence Unit (FIU) de Liechtenstein. Bruelhart também respondeu às perguntas dos jornalistas.

“Temos acompanhando desenvolvimentos positivos e estamos contentes”, disse ele aos meios de comunicação presentes na apresentação do relatório. “O ano de 2013 viu um reforçar-se significativo dos instrumentos legais e institucionais da Santa Sé e do Estado da Cidade do Vaticano na luta eficaz contra os crimes no setor financeiro”, declarou. Isto significa “uma institucionalização maior da colaboração internacional entre a Santa Sé e as suas contrapartes no exterior, além de um resultado muito superior em termos de controle das potenciais irregularidades financeiras”.

Bruelhart acrescentou que “a avaliação realizada em dezembro de 2013 pela Moneyval, o comitê de especialistas do Conselho da Europa contra a reciclagem financeira e o financiamento do terrorismo, junto com as nossas estatísticas, nos permite afirmar que hoje está em funcionamento o sistema adequado para prevenir e combater os crimes financeiros. Um sistema bem alinhado com os padrões internacionais”.

O perito especificou que as “indicações de transações suspeitas passaram de 6, em 2012, para 203 no ano passado. Destas, cinco passaram à Promotoria de Justiça para posteriores aprofundamentos”. A colaboração com os outros atores internacionais se reflete ainda no fato de que a AIF solicitou mais informações a autoridades estrangeiras: de uma única solicitação, em 2012, para 28 no ano passado. O número de informações solicitadas por autoridades internacionais também passou de 3 para 53 no mesmo período.

O especialista recordou que, “com dois documentos em forma de motu proprio nos meses de julho e agosto, o Santo Padre estendeu as competências das autoridades da Santa Sé, em particular da AIF, alinhando os instrumentos legais com os parâmetros internacionais”. Bruelhart mencionou também “o terceiro motu proprio, que o Santo Padre estendeu em novembro de 2013 às exigências nascidas da extensão da responsabilidade da AIF, publicando um novo estatuto da própria AIF”.

No primeiro trimestre de 2014, segundo Bruelhart, a AIF realizou a primeira inspeção no Instituto para as Obras de Religião (IOR), para verificar se as medidas determinadas tinham sido colocadas em prática. A inspeção permitiu constatar os “progressos substanciais alcançados pelo IOR nos últimos 12 meses”.