Santa Sé e Croácia: 20 anos de relações intensas e frutíferas

Secretário vaticano para as Relações com os Estados discursa no 20º aniversário das relações diplomáticas entre os dois países, desejando a plena integração da Croácia na Europa

| 888 visitas

Salvatore Cernuzio

CIDADE DO VATICANO, quarta-feira, 31 de outubro de 2012 (ZENIT.org) - O "desejo vivo e sincero" de que a República da Croácia realize a sua aspiração à "integração plena com a União Europeia" encerrou o discurso de dom Dominique Mamberti, Secretário vaticano para as Relações com os Estados, na conferência que marcou o 20º aniversário das relações diplomáticas entre a Santa Sé e a Croácia.

Vinte anos de relações "intensas, firmes e cordiais" com um país "próximo da Santa Sé geograficamente e ainda mais histórica e religiosamente", reforçou Mamberti, “em virtude da rica história anterior aos últimos vintes anos”.

Mergulhando no passado, o já distante ano de 879 registrava um grande acontecimento na história das relações entre a Santa Sé e a Croácia, disse o representante do Vaticano. Em junho daquele ano, mesmo mês em que o povo croata celebra a sua independência, o papa João VIII enviou uma carta ao príncipe Branimir, informando que elevara orações ao Senhor "para que o seu principado terreno avançasse em prosperidade e segurança".

A partir desse importante reconhecimento, "em várias ocasiões ao longo da história e em circunstâncias difíceis, os croatas demonstraram fidelidade ao evangelho e ao sucessor de Pedro", afirmou o secretário vaticano.

Bento XVI, durante a visita pastoral de junho à capital croata, Zagreb, disse que "podemos contar mais de treze séculos de laços fortes e especiais, testados e consolidados em circunstâncias às vezes difíceis e dolorosas [...] Desde o início, a sua nação pertence à Europa e a ela oferece, de forma peculiar, a contribuição de valores espirituais e morais que, durante séculos, moldaram a vida diária e a identidade pessoal e nacional dos seus filhos".

"Na mais que milenar história da Croácia”, acrescentou o prelado, “os últimos vinte anos foram os mais difíceis e, ao mesmo tempo, os mais cruciais para o seu futuro". Momento decisivo foi o dia 13 de janeiro de 1992, data em que a Santa Sé reconheceu a independência do país. O Vaticano nomeou, em fevereiro do ano seguinte, o primeiro núncio apostólico.

Desde então, vários outros "frutos visíveis" intensificaram as relações mútuas: os quatro acordos celebrados entre 1996 e 1998, relativos às áreas jurídica, econômica, educacional e cultural e, acima de tudo, as três visitas do papa João Paulo II, a primeira das quais apenas dois anos depois do estabelecimento das relações diplomáticas.

A referência ao passado é útil, portanto, "para compreender o presente e construir um futuro melhor", segundo Mamberti. No entanto, os desafios continuam: "Agora, os croatas não podem deixar de se perguntar sobre os valores com que pretendem construir a vida dos indivíduos e de toda a nação".

"Embora a Igreja e a comunidade política operem em níveis diferentes e sejam independentes um do outro”, disse o secretário para as Relações com os Estados, “ambos servem aos mesmos sujeitos, que, ao mesmo tempo, são membros da Igreja e cidadãos do Estado".

Neste serviço, concluiu, "há um amplo espaço para o diálogo e para a cooperação a serviço da dignidade de cada pessoa. No coração da cooperação mútua está o nosso compromisso com o bem comum e com a promoção dos valores espirituais e morais, que dão à sociedade croata a sua firme fundação".

O desejo final de Mamberti, desta forma, é que "neste momento, em que é prospectada e realizada a aspiração da plena integração com a União Europeia", a Croácia "reforce a sua identidade e seja fermento de bem para os outros países".

(Trad.ZENIT)