Santa Sé: é preciso deter o “impressionante número de mortes maternas”

Dom Tomasi na sessão do Conselho de Direitos Humanos em Genebra

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Por Roberta Sciamplicotti

Genebra, sexta-feira, 25 de junho de 2010 (ZENIT.org) – Diante do elevadíssimo número de mulheres que continuam morrendo por motivos do parto no mundo, a Santa Sé pede uma ação urgente para colocar fim a esta ocorrência.

Porta-voz desse apelo foi o arcebispo Silvano M. Tomasi, observador permanente da Santa Sé nas Nações Unidas, ao intervir a 14 de junho na XIV Sessão Ordinária do Conselho de Direitos Humanos em Genebra (Suíça).

Baseando-se no “compromisso e experiência da Igreja Católica na assistência às mães e aos recém-nascidos”, “sobretudo por meio de seus hospitais e as clínicas de maternidade e pediátricas”, o prelado expressou a “urgente preocupação” vaticana diante deste problema.

É intolerável, afirmou, “o impressionante número de mortes maternas que continuam sendo registradas - que fontes confiáveis estimam em 350 mil por ano - sobretudo entre as populações mais pobres e marginalizadas”.

O prelado recordou que o enfoque da Santa Sé diante da mortalidade materna é “holístico”, porque “dá prioridade aos direitos das mães e das crianças”, tanto das já nascidas como das que estão no ventre materno”.

“Não surpreende a forte relação entre as estatísticas relativas à mortalidade materna e as que se referem à morte neonatal”, destacou.

Isto indica que muitas medidas dirigidas a combater a mortalidade materna contribuem também em reduzir a infantil.

Dom Tomasi convidou posteriormente a não esquecer que cada ano três milhões de crianças morrem nos primeiros sete dias de vida, outras três milhões nascem mortas e 2,3 milhões morrem antes do primeiro aniversário.

Medidas urgentes

Diante deste panorama desolador, o representante vaticano pediu uma ação urgente.

As melhorias, reconheceu, foram alcançadas graças aos elementos como “uma maior renda per capita, taxas de educação mais altas entre as mulheres e uma crescente disponibilidade de cuidados médicos básicos, incluindo assistências ao parto preparado”.

Um estudo recente sobre a mortalidade materna, recordou, sugeriu que na África este fenômeno deplorável poderia ser reduzido de maneira significativa se as mães afetadas pelo HIV tivessem acesso aos medicamentos apropriados”.

Da mesma forma, “a disponibilidade de assistência obstétrica de emergência, incluída na assistência pré e pós-parto universal, o transporte idôneo das estruturas médicas no caso de necessidade, assistentes ao parto, reservas de sangue e água potável, antibióticos apropriados e a introdução da idade mínima de 18 anos para o matrimônio poderiam beneficiar tanto as mães como seus filhos”.

Se a comunidade internacional quer reduzir de maneira eficaz “as trágicas taxas de mortalidade materna”, afirmou, “teriam de não só falar da promoção do direito à saúde e do acesso aos medicamentos, mas também colocar em prática estas intenções”.

Esta responsabilidade, destacou, recai sobre os Estados, mas também sobre as organizações não-governamentais e sobre a sociedade civil.

“As políticas dirigidas a combater a mortalidade materna e a infantil devem alcançar um equilíbrio entre os direitos da mãe e dos filhos, porque ambos são portadores de direitos, o primeiro deles é o direito da vida”, disse Dom Tomasi.

“As clínicas para a maternidade e os hospitais promovidos pela Igreja Católica fazem exatamente isto – concluiu: salvam a vida, tanto da mãe como do filho, nascido ou pronto para nascer”.