Santa Sé na defesa do trabalho para todos

«Pobreza e desintegração social ofendem a Dignidade Humana»

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NOVA YORK, 8 de fevereiro de 2008 (ZENIT.org).- Aqui estão os direcionamentos apresentados na quinta-feira pelo arcebispo Celestino Migliore, observador permanente da Santa Sé ante as Nações Unidas, na reunião da comissão de desenvolvimento social do Conselho Econômico e Social. O tópico prioritário foi promover o emprego e o trabalho digno para todos.

 

 

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Senhor presidente,

A promoção do emprego integral e trabalho digno para todos tem sido uma área de contínuo foco para esta Organização. Desde a Declaração de Copenhague e o Programa de Ação para as sessões 45 e 46 desta Comissão, emprego produtivo, erradicação da pobreza e integração social mantêm objetivos importantes para as Nações Unidas.

Minha delegação espera levantar dois aspectos que consideramos essenciais: primeiramente, que a falta de emprego e trabalho digno e a pobreza associada a estes, além da desintegração social, ofendem a dignidade humana; e em segundo lugar, que nós apenas podemos afirmar a verdade das pessoas se as ouvirmos e levarmos concretamente suas necessidades em consideração.

A situação econômica em todo o mundo hoje continua apresentando desafios para o objetivo do emprego integral e trabalho digno para todos. A aceleração constante dos ciclos de crescimento e criação de trabalho por um lado, e de recessão e perdas de emprego por outro, causam distúrbio às relações financeiras e de comércio, bem como a seus mecanismos.. Neste momento, com pouco fôlego o mundo se preocupa para onde as consternações financeiras, provocadas pela crise no setor imobiliário em algumas das economias mais desenvolvidas, nos levarão.

Neste contexto econômico, esta Comissão é desafiada a apresentar as necessidades para formas efetivas de proteger as famílias de baixa renda e trabalhadores do colapso financeiro. Com muita freqüência, são os mais afetados em tempos de crise econômica; então, qualquer política que estimule a economia deve prover para eles uma concreta ajuda econômica. Assisti-los é uma questão de justiça e solidariedade, mas é também uma medida financeira para estimular as economias nacionais e o mercado internacional.

Tal assistência apenas será efetiva se as medidas tomadas pelas economias mais fortes não exacerbam a situação nas economias em desenvolvimento. Desde que este risco cresce altamente na economia independente, a comunidade internacional deve ser vigilante para prevenir esta prática de acontecer. A Santa Sé espera novamente chamar para que as necessidades dos pobres tenham um clamor prioritário sobre nossa consciência e nas escolhas financeiras que os líderes fizerem, e cabe ao nível internacional prover uma plataforma para os pobres porque, com mais freqüência, são deixados sem voz na busca por soluções para os problemas que também importam lhes profundamente.

Para acelerar a realização dos objetivos de Copenhague, é necessário criar um ambiente e estruturas que possibilitem as pessoas de desempenhar uma parte ativa na tomada de decisões. Criar um ambiente favorável, promover estruturas que respondam às necessidades das pessoas e dialogar sem precondições são todos componentes integrais para regular a economia mundial, melhor predizendo seus ciclos e encontrando medidas mais apropriadas para evitar as conseqüências negativas das crises econômicas globais.

Enquanto a globalização tem aberto portas para a prosperidade econômica para muitas pessoas, suas crises continuam afetando desproporcionalmente os membros mais fracos da nossa sociedade. Contudo, a resposta do governo a estes desafios deve ser guiada pelo princípio moral que uma boa sociedade é medida pela extensão com que aqueles com responsabilidade atendem às necessidades dos membros mais fracos, especialmente aqueles com maior necessidade. Uma boa sociedade é aquela na qual todos se beneficiam do bem comum e ninguém é deixado de fora do interesse comum. Políticas econômicas que ajudam as pessoas trabalhadoras de baixa renda a viver dignamente, ter vidas dignas, deveria ser uma prioridade de qualquer boa sociedade digna do nome.

Finalmente, minha delegação deseja afirmar que esta verdade entre todas as partes, recebida mais do que dada, é essencial na área do emprego. A persistência da pobreza, da falta de emprego e da desintegração social são produtos da não-verdade e da falta de justas relações entre os vários componentes do mecanismo social e econômico. A falta de confiança mútua entre as partes também significa uma falta de confiança no futuro que, por outro lado, significa a falta de segurança de emprego. As pessoas, especialmente os jovens procurando pelo primeiro emprego, descobrem significado e confiança no futuro quando encontram um emprego de longo prazo com a oportunidade para uma promoção merecida.

A Santa Sé reconhece que os aspectos acima mencionados, entre outros, são essenciais na resposta às necessidades daqueles que buscam um emprego digno e oportunidades para se moverem para fora da pobreza e evitarem a marginalização, a exploração e a desintegração social. Aqueles que buscam realçar suas vidas nos procuram para ação. É a esperança de minha delegação que nossas palavras aqui rapidamente se tornem nossas ações.

Obrigado, senhor presidente.

[Tradução do original em inglês realizada por Élison Santos; Revisão: Aline Bachieri]