Santa Sé na ONU: defender religião é promover dignidade e direitos humanos

Intervenção do observador vaticano, Dom Migliore

| 1201 visitas

Por Roberta Sciamplicotti

NOVA YORK, quinta-feira, 12 de novembro de 2009 (ZENIT.org).- O arcebispo Celestino Migliore, observador permanente vaticano nas Nações Unidas, interveio na 64º sessão da Assembleia Geral deste organismo sobre o tema “Cultura de paz”. O prelado pediu a defesa da liberdade religiosa, que significa promover a dignidade e os direitos humanos.

“O objetivo último das Nações Unidas, quanto a buscar a compreensão e a cooperação inter-religiosa, é saber comprometer os Estados e todos os setores da sociedade humana para reconhecer, respeitar e promover a dignidade e os direitos de toda pessoa e de toda comunidade do mundo”, disse o observador vaticano.

A contribuição única das religiões e o diálogo e a cooperação entre elas subjazem em sua própria razão de ser, que é servir à dimensão espiritual e transcendente da natureza humana, explicou.

Dom Migliore recordou que é muito sabido que no curso da história, indivíduos e líderes manipularam a religião, e os movimentos ideológicos e nacionalistas consideraram as diferenças religiosas como “uma oportunidade para aliar um apoio à própria causa”.

Recentemente, “a manipulação e o uso incorreto da religião com fins políticos suscitou debates e deliberações das Nações Unidas sobre o tema, colocando-a no contexto dos direitos humanos”.

Neste panorama, o prelado recordou como é profundamente sentida a necessidade de “uma visão coerente e um enfoque apropriado” deste fenômeno.

Por isso, ofereceu algumas considerações para contribuir para “uma interação adequada e eficaz da religião e das religiões com os objetivos e as atividades das Nações Unidas”.

Como recordou o observador vaticano, “o diálogo inter-religioso dirigido a indagar as bases teológicas e espirituais de diversas religiões, visando a uma compreensão e uma cooperação recíprocas, está se convertendo cada vez mais em um imperativo, uma convicção e um comportamento efetivo entre as diferentes religiões”.

A respeito disso, mostrou-se feliz ao recordar a liderança assumida pela Igreja Católica há 40 anos, com a promulgação do documento conciliar Nostra Aetate para abrir-se às outras tradições religiosas.

Um diálogo teológico e espiritual desse tipo, acrescentou, deve ser realizado “pelos crentes e entre eles”, adotando uma metodologia adequada e oferecendo “a premissa e a base indispensável para aquela mais ampla cultura do diálogo e da cooperação que várias instituições acadêmicas, políticas, econômicas e internacionais lançaram nas últimas décadas”.

Neste contexto, concluiu, a responsabilidade específica e primária das Nações Unidas com relação à religião é “debater, elucidar e ajudar os Estados a assegurarem plenamente, em todos os níveis, a implementação do direito à liberdade religiosa”, como afirmam muitos documentos da ONU, que incluem “o pleno respeito e a promoção não somente da fundamental liberdade de consciência, mas da expressão e da prática da religião de qualquer pessoa, sem restrições”.