Santa Sé na ONU: Pobreza, “insulto à nossa humanidade comum”

“Temos meios para colocar fim”, afirma Dom Chullikatt

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ROMA, quarta-feira, 27 de outubro de 2010 (ZENIT.org) – “Qualquer que seja a forma, a pobreza é um insulto para nossa humanidade comum”. Essa foi a denúncia lançada por Dom Francis Chullikatt, núncio apostólico e observador permanente da Santa Sé na ONU, na quinta-feira passada, em Nova York.

O prelado interveio com ocasião da 65ª Assembleia Geral da ONU diante o Segundo Comitê sobre o item 24, “Erradicação da Pobreza e outras questões relativas ao desenvolvimento”.

A pobreza, explicou em sua intervenção, “é uma realidade multidimensional e complexa”. No mundo, de fato, existem muitos tipos de pobreza, “que deve ser enfrentada em diferentes lugares e em distintos níveis”.

“Nos países mais pobres, encontramos a pobreza em sua forma mais terrível: pobreza extrema ou absoluta”, uma condição caracterizada por “uma grave privação das necessidades fundamentais, que incluem, por exemplo, alimento, água potável, estruturas sanitárias, assistência sanitária básica, educação, informação, etc.”

A que afeta os países desenvolvidos, “apesar de muitas situações de extrema indigência”, é a “pobreza ‘relativa’, que pode considerar-se como falta de recursos suficientes, financeiros e materiais, que permitam à população alcançar um estado de vida aceitável numa sociedade, e, sobretudo, a respeito das possibilidades de que outros desfrutem”.

Dom Chullikatt fez um apelo a se reafirmar o compromisso em alcançar os objetivos de Desenvolvimento do Milênio antes de 2015, “incluindo o fim da pobreza extrema e da fome”.

O prelado lamentou a diminuição das ajudas com esta finalidade, por causa da crise. “Muitos países doadores reduziram a já atual pequena porcentagem do PIB destinada às ajudas ao desenvolvimento”.

“É necessário que a assistência ao desenvolvimento dos países mais pobres seja guiada por um princípio de solidariedade global entre países ricos e pobres, no reconhecimento da pertença a uma única família humana”.

“Nos momentos de maior dificuldade, deveríamos mostrar uma maior solidariedade” comentou.

O observador permanente recordou também que o princípio da solidariedade deveria ir sempre ao passo da subsidiariedade. “Os pobres deveriam ser ajudados a empreender suas próprias iniciativas para melhorar as condições de vida”.

Do contrário, corre-se o risco de que “o papel da iniciativa seja substituído pela passividade, dependência e submissão a um sistema burocrático”.

Neste contexto, é “crucial investir na instrução e na formação de pessoas, desenvolvendo de forma integrada uma ‘cultura empresarial’ específica”.

Da mesma forma, “é urgente tornar disponíveis também aos pobres os medicamentos e os tratamentos necessários para combater pandemias como malária, tuberculose, tétano e HIV/SIDA, que afetam muitas populações.

“Mais de 60 anos depois da proclamação e da adoção da Declaração Universal dos Direitos do Homem, é inaceitável que centenas de milhões de pessoas vivam ainda em condições sub-humanas e estejam privadas de desfrutar dos direitos fundamentais.”