Santa Sé pede no ECOSOC um desenvolvimento integral

Destaca a liberdade cultural e os valores das populações indígenas

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NOVA YORK, domingo, 25 de abril de 2010 (ZENIT.org).- O observador permanente da Santa Sé na ONU assinalou a necessidade de uma visão integral do desenvolvimento, especialmente no que se refere às populações indígenas.

O arcebispo Celestino Migliore fez seu comentário na terça-feira, na nona sessão do Fórum Permanente sobre Questões Indígenas do Conselho Econômico e Social das Nações Unidas.

O debate centrou-se no tema do desenvolvimento das populações indígenas com cultura e identidade.

“A Santa Sé considera fundamental ter uma visão integral do desenvolvimento que implica no bem-estar da pessoa em seu conjunto e de toda a comunidade, e destaca em particular a dimensão da identidade cultural”, declarou o delegado.

“A visão indígena tradicional de desenvolvimento concentra-se no desenvolvimento humano em sua totalidade e entende que a terra e os arredores são sagrados e bons para nosso uso; não se deveria abusar desses dons, necessários para a existência humana” continuou.

“Deve-se promover uma aproximação ao desenvolvimento baseado nos direitos humanos que levem em conta os direitos coletivos e o espírito de compartilhar benefícios que afirma sua conexão vital com suas terras e territórios”, afirmou.

“Além da dimensão econômica, o desenvolvimento deve incluir também os elementos sociais, culturais e espirituais”, esclarece. 

“Devem respeitar seu profundo sentido da consciência religiosa, a família, coesão da comunidade e o desejo de viver em uma forte simbiose com a natureza”, acrescentou.

O arcebispo esclareceu que “fomentar a cultura indígena nem sempre significa voltar ao passado”, porém “implica em ir adiante mantendo os valores e princípios transmitidos tradicionalmente”.

Valores tradicionais

“A cultura indígena é baseada em valores consagrados por meio do tempo, e coletivos”, disse o arcebispo, “enriquecidos por meio da promoção de maneiras tradicionais de aprender e transferir conhecimento”.

“O respeito à vida e à dignidade humana, os processos de tomar decisões representativas, a prática de mecanismo da justiça e as cerimonias são importantes”, continuou.

“Diante a modernização, industrialização e a urbanização, esses valores não devem ser esquecidos - disse. Isso necessita que seja promovida a compreensão e o respeito à cultura indígena”.

“As populações indígenas devem poder eleger seu idioma, praticar sua religião e participar ativamente na conformação de sua cultura”, indicou o prelado.

Também destacou a importância de garantir “a liberdade cultural como um direito humano das populações indígenas e o respeito a sua etnia, religião e língua”.

“É fundamental preservar sua herança cultural, promover as línguas indígenas e a educação inter-cultural”, afirmou o arcebispo.

“Nesse espírito, a Santa Sé promove centros de línguas indígenas, supervisiona a compilação de livros de gramática e se encarrega de centenas de traduções a essas línguas, frequentemente ameaçadas pela extinção natural".

A delegação da Santa Sé destacou seu compromisso com “a promoção do desenvolvimento cultural, orientando o enriquecimento humano e espiritual das populações”.