Santa Sé preocupada com a atenção às crianças doentes

Apresentado um congresso internacional que acontecerá no Vaticano

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Por Carmen Villa

CIDADE DO VATICANO, terça-feira, 11 de novembro de 2008 (ZENIT.org).- A Santa Sé está preocupada com a atenção que se dá às crianças doentes e por este motivo convocou no Vaticano uma reunião mundial de especialistas por iniciativa do Pontifício Conselho para a Pastoral no Campo da Saúde.

Seu presidente, o cardeal Javier Lozano Barragán apresentou na manhã desta terça-feira, em uma coletiva de imprensa, a 23ª Conferência Internacional sobre o tema «A Pastoral no cuidado das crianças doentes», que se levará a cabo de 13 a 15 de novembro na Sala do Sínodo.

Sobre diversos temas relacionados com a pastoral da saúde infantil falarão 41 expositores, provenientes de 14 países.

A iniciativa, declarou o cardeal mexicano aos jornalistas, «corresponde à tarefa dada pelo Santo Padre ao Pontifício Conselho para a Pastoral no Campo da Saúde de orientar a pastoral da saúde da Igreja», assegurou Lozano Barragán.

Linhas de ação

O evento busca «aprofundar nesta problemática, concentrando-nos nas doenças destas crianças, e fazer perguntas à luz do que diz a Palavra de Deus ao respeito e, por conseguinte, o que devemos fazer», assegurou o cardeal.

O evento se dividirá em três partes: situação, reflexão e ação da pastoral da saúde infantil.

Ao enfrentar a situação, os participantes analisarão a realidade e origem das doenças infantis. Tratarão temas como a história da cura das crianças enfermas no mundo, a demografia da população infantil e sua mortalidade.

Igualmente, falarão sobre os hábitos de alimentação, as mudanças tecnológicas e industriais, a ciência moderna pediátrica e os novos medicamentos para as crianças. Também estudarão as atuais mudanças políticas, as legislações, os novos sistemas de saúde, os seguros e o papel da família.

A segunda parte, a reflexão, aprofundará nos ensinamentos das Sagradas Escrituras e dos Padres da Igreja sobre as crianças doentes: como foram estas curas no curso da história da Igreja e qual foi o testemunho dos santos que dedicaram sua vida às crianças enfermas.

Nesta fase também refletirão sobre o que dizem outras religiões com relação ao tema das crianças doentes. «Há tantas qualidades na antropologia das outras religiões! Por que não usá-las?» Perguntou o cardeal.

A terceira parte está dedicada à ação, e nela discutirão temas como a catequese e a administração de sacramentos às crianças doentes, o tratamento médico e psicológico, a função dos meios de comunicação, os sistemas de saúde nacionais e internacionais. Ao falar da legislação, abordarão o problema da migração e o papel da família.

Números dramáticos

O cardeal disse que o dicastério vaticano viu a necessidade de realizar esta conferência ao analisar o panorama da situação da saúde das crianças. Na década passada, informou, dois milhões de crianças foram assassinadas por causa do conflito armado, seis milhões ficaram inválidas, milhares mutiladas. Mais de 4 milhões de crianças morreram de AIDS. Cada ano, só na África, 7 mil crianças contraem o vírus e 14 milhões ficam órfãs por causa desta doença.

Também se referiu à situação trabalhista das crianças, assegurando que 250 milhões menores de 15 anos trabalham, entre elas 60 milhões o fazem em condições de perigo. Revelou dados da Organização Mundial do Trabalho, segundo os quais 120 milhões de crianças entre 5 e 14 anos trabalham em templo integral e muitas o fazem sete dias por semana.