Santa Sé procura ajuda para comunidades perseguidas na Índia

O cardeal Sandri viajou ao país

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CIDADE DO VATICANO, quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009 (ZENIT.org).- A reunião das obras de ajuda às Igrejas Orientais terminou com uma intervenção do prefeito da Congregação para as Igrejas Orientais, cardeal Leonardo Sandri. 

A assembléia geral da Reunião de Obras de Ajuda às Igrejas Orientais (ROACO), celebrada em Roma de 26 a 30 de janeiro, dedicou uma atenção especial a estudar a situação das comunidades eclesiais na Índia e na Ucrânia. 

Referindo-se à sua recente visita à Índia, o purpurado se centrou nas urgências e necessidades pastorais. Fez-se uma reflexão sobre as necessidades de ajuda das Igrejas Católicas Orientais na Índia: as Igrejas Malabar e Malankar. 

São duas realidades em constante crescimento, até o ponto de advertir a necessidade de criar novas dioceses em diversas partes do país. Portanto, aumentam as necessidades também financeiras, necessidades das quais as agências da ROACO pretendem se encarregar segundo suas possibilidades. Deve-se levar em conta também as necessidades dos fiéis, em favor dos quais se examinaram nestes dias projetos e iniciativas caritativas, a serem realizadas em um território vastíssimo, como no caso do indiano. 

Após a apresentação do balanço do que se fez já nestes territórios, procurou-se captar a fundo aquilo de que mais se precisa hoje, para falar disso depois com os prelados indianos. 

O cardeal Sandri levou à assembléia o fruto das reflexões, amadurecidas durante o que não hesitou em definir como «uma peregrinação da paz à Índia seguindo os passos dos santos e beatos das Igrejas Sírio-Malabar e Sírio-Malankar». 

Foi uma presença significativa, à luz dos fatos de violência contra os cristãos que se deram pouco antes em Orissa. «Trágicos acontecimentos, aos que fiz constante referência em minhas intervenções – disse o cardeal em sua intervenção, referida neste 3 de fevereiro por L'Osservatore Romano –, assegurando sempre a atenção, o afeto e a oração do Papa e de toda a Igreja». 

O prefeito disse também que encontrou uma comunidade eclesial, apesar de tudo, viva e «projetada para o futuro, com boas esperanças pelo considerável desenvolvimento que estão experimentando, ainda entre dificuldades e problemas novos e antigos». 

A Igreja, acrescentou, continua oferecendo seu apoio em muitos setores sociais, com uma obra valorizada pela população. Um empenho especial da Igreja na Índia é a assistência aos fiéis indianos migrantes em tantos países, além de oferecer uma consistente ajuda missionária à Igreja universal. 

Daí que «me sinto no dever – acrescentou o cardeal – de recomendar-vos um constante apoio à Igreja que está na Índia, um verdadeiro ponto de referência no território». 

A atenção à Índia não diminuiu na reunião da ROACO para as outras igrejas católicas orientais, em especial no Iraque. Não caiu no vazio o grito desesperado de ajuda dos cristãos iraquianos, relançado nestes dias por seus bispos em Roma para a visitaad limina apostolorum.                                                                        

Na inauguração deste encontro, interveio o arcebispo Fernando Filoni, substituto da Secretaria de Estado, antigo núncio no Iraque, que quis manifestar a preocupação do Papa pela situação na qual os cristãos no Oriente Médio se vêem obrigados a viver, preocupações sobretudo por quem sofre e pelas perspectivas de futuro, que não são as melhores.

Muitos procuram deixar o país, dada a situação, tanto do ponto de vista social como religioso. A influência do Islã, a falta de postos de trabalho e do reconhecimento aos cristãos de uma liberdade plena e de um absoluto respeito, impulsionam muitas famílias cristãs a deixarem o país. E esta é uma grande fonte de preocupação para todos, principalmente para o Papa, conclui o jornal vaticano. 

A ROACO é um comitê vinculado à Congregação para as Igrejas Orientais. Sua missão é a de canalizar a distribuição das ajudas materiais procedentes de outras partes do mundo. 

Fazem parte da ROACO a Catholic Near East Welfare Association e a Pontifícia Missão para a Palestina (ambas dos Estados Unidos), assim como agências da Alemanha, França, Suíça, Países Baixos e Áustria.