Santidade, conversão, correção

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Por Dom Orani João Tempesta

RIO DE JANEIRO, quarta-feira, 7 de setembro de 2011 (ZENIT.org) – Neste final de semana, a Palavra de Deus ilumina nossas vidas e, principalmente, responde a tantos questionamentos sobre a nossa vida como Igreja. Ela é santa e pecadora! Santa, enquanto instituída por Cristo e tem todos os meios para a Salvação de todos. Pecadora, em seus membros, que caminham ainda na penumbra e não se converteram.

O conceito da Igreja "santa, mas composta por membros pecadores" também significa que a comunidade eclesial inteira tende à perfeição e constantemente aspira à santidade: ser santos, isto é, perfeitos como o vosso Pai do céu, é o objetivo fundamental de cada cristão, e para este fim existem os meios da graça, e, em especial, os Sacramentos.

Acabamos de celebrar o mês vocacional, que, recordando-nos da oração pelas diversas vocações, nos indica, no entanto, que a nossa vocação comum é a santidade. E é justamente essa direção que buscamos. A Palavra de Deus, que celebramos neste mês da Bíblia, é luz para o nosso caminho de conversão.

A Igreja é, portanto, uma comunidade de pessoas no vínculo da comunhão com Cristo, Cabeça, e uns com os outros. Todos devem tender à conversão e à comunhão com Deus. Todos os batizados são chamados ao arrependimento e à renúncia ao pecado, justamente por causa da vocação comum de todos os batizados à santidade.

Todos esses objetivos são atingidos por meio da oração, dos recursos espirituais que temos e dispomos, pelo dom da graça que está presente nos Sacramentos, especialmente no Sacramento da Penitência e da Eucaristia, mas também pela capacidade de estabelecer comunhão e solidariedade entre nós. Os santos não se tornam, assim, sozinhos, mas dentro da estrutura da comunhão da comunidade eclesial.

A Liturgia da Palavra nos mostra neste domingo um aspecto essencial da vida cristã, que é de grande ajuda para alcançar a santidade comum — isso nós chamamos correção fraterna. Como o livro do Apocalipse: "Aqueles a quem eu amo, eu repreendo e castigo" (Ap 3, 19). Anota, ainda, mais explicitamente e de modo convincente, a Carta aos Hebreus: “estais sendo provados para vossa correção. É Deus que vos trata como filhos, pois qual é o filho que o pai não corrige? Com efeito, nenhuma correção parece de momento agradável, mas dolorosa. Mais tarde, porém, dará frutos de paz e de justiça aos que nela foram exercitados. Levantai, pois, as mãos fatigadas e os joelhos trêmulos. Dirigi vossos passos pelo caminho reto, a fim de que o membro deficiente seja curado.”. (cfr. Hb 12, 7, 10-12.).

O que rejeita a correção fraterna não reconhece o amor de Deus. Porém, correção fraterna não deve ser confundida com o pretexto de um domínio, não se está exercendo um estrangulamento apertado sobre o seu irmão, como se nós mesmos não fôssemos capazes de errar.

A correção deve ser exercida com sensibilidade e com verdadeiro espírito de diálogo e de fraternidade. Se um irmão é errado, porque o seu comportamento gera a preocupação de todos, é necessário que ele melhore o seu proceder, e a intervenção da Igreja, quando necessário, pode ser decisiva. Mas o autor sagrado também, sabiamente, prevê que o irmão pode não mudar a vida e persistir no erro: tudo depende de sua liberdade e da consciência que a anima.

Quando, no entanto, apesar da correção, não a aceita e persiste no erro, fica claro que fez a sua escolha de continuar no pecado. Devemos, então, considerá-lo alguém que ainda tem que ser iniciado na fé: um pagão.

Se um irmão está errado, se ele incide no erro, mas em nome de uma falsa amizade ou do medo, se você o deixar continuar nessa lacuna, acabaremos sendo corresponsáveis pelo delito dele porque não o ajudamos com a correção fraterna.

Neste Evangelho, Jesus nos convida a aprender a ter um diálogo construtivo entre nós, através da transparência. Isso se faz, especialmente, manifestando ao outro o mal que fez e indicando um caminho de cura.

Qual é a chave para começar? O amor, a capacidade de perdoar, o que impede que o outro se coloque na defensiva e que me torna consciente de que eu, primeiramente, é que tenho necessidade de ser perdoado por Deus e pelos irmãos. Isso nos recorda a segunda leitura deste domingo.

Nesta semana, peçamos a Deus para aprendermos a não ser omissos, e sim responsáveis pela vida de nossos irmãos e tudo fazer por amor, procurando sempre o caminho da santidade.

Nestes dias estamos tendo a oportunidade de celebrar a presença mariana com a imagem peregrina de Nossa Senhora de Nazaré: que a estrela da evangelização interceda por nós para vivermos com alegria nossa vocação comum, que é a santidade, sempre escutando o seu Filho, fazendo tudo o Ele nos diz.

Dom Orani João Tempesta é arcebispo do Rio de Janeiro
03/09/2011