Santos: patrimônio ecumênico, assegura arcebispo da Cantuária

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Por Carmen Villa

BOSE, segunda-feira, 3 de novembro de 2008 (ZENIT.org).- Reconhecer os homens e mulheres santos, com virtudes heróicas, que souberam unir seus padecimentos à Cruz do Senhor no meio de uma Igreja dividida, foi o tema da intervenção do arcebispo da Cantuária, Rowan Williams, primaz da comunhão anglicana, dentro do simpósio internacional «Uma nuvem de testemunhos. Oportunidade para uma Comemoração Ecumênica», de 29 de outubro a 2 de novembro, que se realizou no mosteiro de Bose (Itália).

Segundo explicou, em declarações recolhidas pelo L'Osservatore Romano em sua edição da sexta-feira passada, Williams se referiu a quem morre por causa do amor a Cristo, dizendo que estes «nos convidam a identificar-nos com o Cristo presente, junto a cada homem, vítima de violência e exclusão, e a reconhecer nossa cumplicidade na violência e na prospectiva distorcida que a gerou». 

«No Ocidente e no Oriente, há pessoas que padeceram sofrimentos e morte pelas mãos dos cristãos (católicos, ortodoxos, anglicanos, protestantes) e foram reconhecidas como mártires: como podemos celebrar a memória de cada um dos que morreram por nossas próprias mãos?», perguntava-se o arcebispo. 

Portanto, acrescentou, ao celebrar o dia de todos os santos em um contexto ecumênico, «celebramos a Igreja que será e não é ainda: o corpo escatológico de Cristo, do qual todos os que o serviram na verdade são igualmente partícipes, também se estiveram divididos entre eles na história». 

Por outro lado, assegurou que esta celebração nos deve levar a pensar que nossa vida no Corpo de Cristo se nutre de várias fontes, que todos os cristãos temos em comum. 

«O Espírito Santo do tempo que virá, o Espírito que é uma promessa, um depósito do futuro de Deus, é a obra em nós através das relações até agora indivisíveis e difíceis de alcançar, atuando através do estranho, da vítima, de quem não queremos reconhecer agora como irmão ou irmã», concluiu. 

No evento participaram cerca de 80 teólogos e responsáveis de diferentes igrejas cristãs. Ele foi organizado pela comunidade monástica de Bose e pela Comissão Fé e Constituição, do Concílio Ecumênico das Igrejas, com o objetivo de determinar como a memória comum destes testemunhos de fé pode contribuir para o crescimento de uma espiritualidade ecumênica.