Santuários, espaços fecundos contra a secularização

Carta da Congregação para o Clero aos reitores

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ROMA, quinta-feira, 18 de agosto de 2011 (ZENIT.org) – Os santuários podem contribuir de forma eficaz para deter a secularização e podem ainda estimular a prática religiosa, convertendo-se cada vez mais em locais da nova evangelização.

Isso é o que se lê na Carta circular, firmada pelo cardeal Mauro Piacenza e pelo arcebispo Celso Morga Iruzubieta, presidente e secretário da Congregação para o Clero, um texto dirigido aos reitores dos santuários do mundo.

“Num clima de difuso secularismo, o santuário continua, de fato, ainda em nossos dias, a representar um lugar privilegiado, no qual o homem, peregrino nesta terra, faz a experiência da presença amorosa e salvífica de Deus.”

No Santuário, escreve a Congregação para o Clero, se “encontra um espaço fecundo, distante dos afãs quotidianos, onde possa recolher-se e reabastecer-se de vigor espiritual para retomar o caminho de fé com maior ardor, e procurar, encontrar e amar Cristo na vida ordinária, no meio do mundo”.

Além disso, “a piedade popular é de grande importância para a fé, a cultura e a identidade cristã de muitos povos”.

“Essa é expressão da fé de um povo, verdadeiro tesouro do povo de Deus, na Igreja e para a Igreja: para compreender bem esta idéia, basta imaginar a pobreza que seria para a história da espiritualidade cristã do Ocidente a ausência do ‘Rosário’ ou da ‘Via Sacra’, bem como das procissões. São somente dois exemplos, mas que são suficientemente evidentes para relevar a sua imprescindibilidade.”

Quanto às missas celebradas nos santuários, a Congregação para o Clero recorda a dignidade necessária.

Neste sentido, destaca a importância do canto gregoriano, polifônico ou popular e da seleção adequada dos “instrumentos musicais mais nobres (órgão de tubos e afins), como as vestes que são usadas pelos ministros, juntamente com as alfaias utilizadas na Liturgia”.

Estas devem corresponder aos cânones de nobreza e sacralidade. No caso das concelebrações, cuide-se de que haja um Mestre de cerimônias, que não concelebre, e faça-se o possível para que cada concelebrante use a casula ou a planeta, como paramento próprio do sacerdote que celebra os divinos mistérios.

“Um estilo celebrativo que introduza inovações litúrgicas arbitrárias, além de gerar confusão e divisão entre os fiéis, lesiona a veneranda Tradição e a própria autoridade da Igreja, além de ferir a unidade eclesial”, assinala o texto.

Depois de convidar a promover a adoração eucarística, a carta exorta a dar uma “notável importância ao lugar do Sacrário no Santuário (ou também de uma capela destinada exclusivamente à adoração do Santíssimo) porque é, em si mesmo, um ‘ímã’, convite e estímulo à oração, a adoração e a meditação, a intimidade com o Senhor”.

Em uma entrevista à Rádio Vaticano, o cardeal Mauro Piacenza explicou que a carta “tem principalmente o objetivo de se inserir no movimento da nova evangelização, que une, pouco a pouco, todos na Igreja”.

“Quer-se concentrar a atenção sobre estes lugares, que Paulo VI chamava de ‘clínicas do espírito’, porque em um período de vasta secularização, os santuários têm uma missão mais importante que nunca, porque talvez as pessoas que não frequentam regularmente a Igreja ou que não a frequentam de forma alguma, ao se encontrarem em uma viagem ou em férias, por um interesse artístico ou diversas razões, decidem entrar em um santuário.”

“Então – explicou – poderiam ser unificados de alguma maneira todos esses elementos para propiciar o encontro com o Senhor, a revisão da própria vida, através de todos os elementos que o santuário leva consiga”.

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Na internet, íntegra da Carta: http://www.zenit.org/article-28613?l=portuguese