São Camilo de Lelis, sob o sinal da cruz vermelha

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ROMA, domingo, 29 de julho de 2007 (ZENIT.org).- Alguns santos realmente são o símbolo de sua época. Independentemente de quantos séculos nos separem, alguns deles viveram em meio a lutas e dificuldades que seguimos enfrentando muitos séculos depois. Este é especialmente o caso de São Camilo de Lelis.



Bento XVI fez esta observação em sua primeira encíclica «Deus Caritas Est», citando São Camilo junto a São Francisco de Assis, São João da Cruz, Teresa de Calcutá e outros como «modelos duradouros de caridade» para qualquer pessoa.

O que faz que São Camilo seja único nesta lista é que até os 32 anos ninguém teria suspeitado que o estranho e turbulento jovem teria tão glorioso destino.

Camilo de Lelis nasceu em 1550, filho de um mercenário. Sua mãe morreu quando Camilo era ainda criança. Seu pai não lhe deu precisamente um bom modelo de vida. Inveterado julgador, era indiferente ao lado pelo qual lutava; inclusive participou do saque de Roma em 1527.

Crescido no que denominava «lar disfuncional», o jovem Camilo cresceu com escassa educação, abscessos crônicos nos pés e um vício ao jogo. Para pagar suas dívidas, seguiu os passos de seu pai, convertendo-se também em um soldado de fortuna. Em um de seus momentos mais escuros, perdeu sua espada, pistola e recipientes de pólvora, os utensílios de sua empreitada.

A conversão de Camilo não chegou da noite para o dia. Tentou unir-se aos franciscanos, fracassou e voltou a seu antigo caminho. Caiu e se levantou muitas vezes antes de assentar seus pés firmemente pelo caminho estreito.

Roma teve um papel importante na conversão de Camilo. Chegou ao hospício de Santiago dos Incuráveis, a poucos passos da atual meta de compras da Praça de Espanha, buscando tratamento para seus pés. Em troca, ofereceu-se para ajudar a cuidar dos enfermos e moribundos do hospital.

Enquanto dedicava seu tempo, amor e atenção aos enfermos, começou a sanar espiritual e fisicamente. Deixou o jogo e suas enfermidades o abandonaram.

A Providência enviou a Camilo um extraordinário diretor espiritual. São Felipe Néri que lhe tomou sob sua proteção.

O jovem, que media 1,95 foi à escola, estudou gramática no Colégio Jesuíta Romano. Neste ambiente não só aprendeu letras mas também muita humildade.

Finalmente foi ordenado sacerdote em 1584 e fundou sua ordem, os Servos dos enfermos. Ainda que tratou os enfermos e os pobres, dedicou especial atenção a consolar os moribundos.

Seu pitoresco passado lhe serviu nesta tarefa. Nenhum caso era tão estranho a ele para não lhe interessar, porque recordava quão perdido havia estado. Podia reconhecer os sinais do vício imediatamente e então era capaz de compreender e ajudar as pessoas que eram desenganadas por outros.

Em «Deus Caritas Est», o Santo Padre reflete que os santos demonstram como «os que chegam perto de Deus não se afastam dos homens, mas se fazem verdadeiramente próximos deles». A «auto-ajuda» de São Camilo – para pôr-lhe em termos contemporâneos – se centrou em ver a Jesus nos demais, antes que se fechar em si mesmo.

Os Servos dos enfermos em áreas de epidemias, zonas de desastre ou hospitais eram facilmente identificáveis pelas cruzes vermelhas que levavam em seus uniformes.

Inclusive hoje, a Cruz Vermelha é sinônimo de ajuda médica, ainda que a origem do símbolo moderno pareça diferente. O Fundador da moderna Cruz Vermelha, Henri Dunant, era suíço. Testemunha do sofrimento dos feridos durante a batalha de Solferino, em 1859, recrutou os vizinhos próximos para ajudá-lo a atender os caídos.

A iniciativa de Dunant foi ratificada durante a Convenção de Genebra e a cruz vermelha sobre campo branco, o inverso da bandeira suíça, foi eleita como seu símbolo em honra às origens de Dunant.

Estejam ou não relacionados os dois símbolos, durante meio milênio a cruz vermelha levou esperança aos aflitos e aos que sofrem.