São Francisco e o "espírito de perdão de Assis"

Uma reflexão feita 27 anos depois da histórica peregrinação de João Paulo II

Assis, (Zenit.org) Pe. Pietro Messa | 544 visitas

Numa segunda-feira, 27 de outubro de 1986, o papa João Paulo II convocou em Assis um dia de peregrinação, jejum e oração pela paz, para o qual foram convidados os representantes de todas as religiões. Aquele evento deu início a um movimento de reflexão, encontros e trabalhos que viram a própria confirmação e aprofundamento no encontro organizado pelo papa Bento XVI, vinte e cinco anos mais tarde, em 27 de outubro de 2011.

Embora a origem desses diálogos e dessa missão seja recente, em especial a partir do concílio Vaticano II, importantes elementos deste processo remontam a São Francisco de Assis, como fica evidenciado, por exemplo, na regra franciscana que indica o modo de comportar-se quando se está entre os muçulmanos: "Os frades que estiverem em meio aos infiéis podem se comportar espiritualmente de duas maneiras. Uma é evitar as brigas e disputas, sujeitando-se a toda criatura humana por amor de Deus e confessando-se cristãos. A outra maneira é, quando virem que é de agrado de nosso Senhor, proclamar a palavra de Deus para que eles acreditem em Deus Todo-Poderoso Pai, Filho e Espírito Santo, criador de todas as coisas, e no Filho Redentor e Salvador, e sejam batizados e se tornem cristãos, porque, se não se nascer da água e do Espírito, não se poderá entrar no reino de Deus" (Fontes Franciscanas, 43).

Ao contrário do que se costuma afirmar, não há em São Francisco nenhum "cristianismo anônimo", porque, no primeiro modo, os frades devem confessar-se cristãos; nem há renúncia à missão, porque o Pobre de Assis afirma também que "se alguém não nascer da água e do Espírito, não poderá entrar no reino de Deus".

A este respeito, escreve pe. Charles Paolazzi: "Os dois modos são evangélicos, histórica e teologicamente proporcionais ao mundo dos crentes muçulmanos: em contraste com a violência desnecessária das cruzadas, o estilo de mansidão e o testemunho cristão; complementando o monoteísmo comum, derivado da fé de Abraão, eis o anúncio do mistério trinitário e da redenção no Verbo encarnado, através dos sacramentos confiados à Igreja".