São José nas orações eucarísticas

Entre são José e, por exemplo, são Paulo, não há diferença ontológica

São Paulo, (Zenit.org) Edson Sampel | 507 visitas

Bastante louvável a decisão do papa Francisco de acrescentar um memento a são José nas orações eucarísticas II, III e IV. O castíssimo eposo de santa Maria é o patrono da Igreja, porquanto “(...) amorosamente cuidou da mãe de Deus e se dedicou com alegre empenho na educação de Jesus Cristo (...)” (Decreto da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, 1.º/5/2013). Todavia, é importante ter presentes algumas considerações a respeito do pai adotivo de Jesus, para que se evitem interpretações errôneas, fantasiosas, que não se coadunam com a doutrina católica e facilmente degeneram em heresia.  

São José não está acima de nenhum outro santo. Desta feita, entre são José e, por exemplo, são Paulo, não existe diferença ontológica nenhuma. Como qualquer ser humano, ambos nasceram vitimados pelo pecado original, mas se santificaram pela sua fé e por suas boas obras. Desta feita, falar em “protodulia”,vale dizer, em um culto especial a são José, por razões personalíssimas, não me parece uma postura ortodoxa. A são José e a qualquer outro santo temos de render o culto chamado de “dulia”. A Deus cultuamos com a “latria”.

Maria santíssima, a mãe de Jesus e esposa de são José, é venerada com um culto especialíssimo, denominado de “hiperdulia”. Deveras, nossa Senhora nasceu sem a mancha do pecado original e cooperou efetivamente com a encarnação de Deus na história. Santa Maria só está abaixo de Deus. Na economia salvífica, ela se encontra acima de todos os santos e anjos do céu. Certos teólogos arriscam a tese de que grande número de anjos se rebelou contra Deus ao tomar conhecimento de que um ser humano, uma mulher, excederia em graças a todas as criaturas.

Não existe nenhuma base escriturística ou tradicional de que são José frua de algum privilégio semelhante ao de sua amantíssima esposa. No novo testamento, há um único epíteto relacionado a são José: “Era um homem justo” (Mt 1, 19). O Catecismo da Igreja Católica, por seu turno, divisa os parâmetros de um saudável culto josefense e inculca o real papel de são José na história da salvação. Leiam-se os números 437, 104 e 2177.

São Bento é o padroeiro da Europa e, nem por isso, afirmaremos que sua santidade sobrepaira a de um são Francisco, por exemplo. São José é o patrono da Igreja universal, porquanto custodiou a Igreja nascente, na condição de chefe da sagrada família.

Que são José rogue por nós e ajude a extirpar da comunidade eclesial qualquer tentativa de divinização da pessoa dele!