São Paulo mostra amor de Jesus até extremo

Na conferência apresentada pelo Pe. Enzo Bianchi, na basílica de São Paulo Fora dos Muros

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Por Carmen Elena Villa

ROMA, quinta-feira, 26 de março de 2009 (ZENIT.org).- «Uma das confissões de fé mais altas e profundas de todo o Novo Testamento»: assim definiu o Pe. Enzo Bianchi, prior da Comunidade de Bose, o conhecido Hino Cristológico, incluído na Carta de São Paulo aos Filipenses. 

A afirmação foi feita na segunda-feira passada, dentro da catequese denominada «São Paulo que fala», que acontece cada mês na basílica de São Paulo Fora dos Muros, por ocasião do Ano Paulino. Desta vez foi dedicada à Carta aos Filipenses. 

O exegeta assegurou que Paulo nesta carta mostra «ter estado aferrado a Cristo, conquistado por Cristo, que fez dele um missionário, um apóstolo por excelência, sentindo-se em uma relação de servo, no qual respeita a quem chama ‘Senhor’, ‘meu Senhor’». 

Deus feito homem por amor

Enzo Bianchi centrou sua palestra na passagem do segundo capítulo da Carta aos Filipenses (versículos 5-11), que fala do processo de «despojamento» e do desejo de Deus de tornar-se um de nós, fazendo-se obediente «até a morte, e morte de cruz», para que «ao nome de Deus todo joelho se dobre». 

Assegurou que a riqueza do hino cristológico consiste em que «canta em síntese todo o itinerário percorrido por Cristo. Resume toda sua vida, a encarnação, a vida terrena, a morte na cruz, o enaltecimento da glória». 

E assinalou que neste texto do Novo Testamento está contido «não apenas o percurso da humanização de Deus, mas também o estilo deste percurso. A kénosis, que quer dizer «o despojamento de si mesmo e depois a exaltação de toda a humanidade». 

O prior da comunidade de Bosse indicou que «no paganismo se narravam mitos da encarnação dos deuses. Os faraós, em toda sua potência, eram vistos como a encarnação do deus sol», mas, ao contrário, «o cristianismo é a encarnação até o despojamento de quem é Deus, este se converte em escravo. A Palavra de Deus, o logos, na encarnação teve de esvaziar-se de si mesmo para subsistir entre nós e conosco». 

Assinalou também que Deus «fez um parênteses em sua forma divina para poder subsistir como homem totalmente como nós», e indicou que este hino «não narra a história em linha reta dos acontecimentos ou dos eventos, mas ressalta do alto ao baixo e depois do baixo ao alto». 

O exegeta indicou que Deus «não podia manter uma condição divina sem compartilhá-la, sem provar o desejo de que também os homens participassem da condição divina». 

Ressaltou também como Deus, ao fazer-se homem, «aceitou a morte, a condição limitada, nossa carne. Era santo três vezes, aceitou ser tentado pelo diabo em sua carne humana». 

E afirmou que, «se é verdade que o pecado marca o homem, é verdade que Cristo quis fazer-se homem, não cometeu nenhum pecado, mas foi provado em todas as tentações». 

«Eis aqui até onde o filho teve de andar. Ele se fez homem, foi reconhecido como filho de José e de Maria», assinalou. 

Disse que o ponto mais baixo deste hino é quando São Paulo se refere à cruz, recordando que esta era a morte mais humilhante naquela época, mas que a cruz «não é o resultado de um acaso ou de uma fatalidade», mas «o êxito de uma vida vivida na justiça e no amor». 

O exegeta concluiu dizendo que, por isso, diante de Jesus, «todos os homens dobram seus joelhos» e assegurou que, por isso, «Jesus Cristo é o Senhor do universo, Jesus Cristo também é o meu Senhor».