“Se a Europa se envergonhar do Cristianismo, não terá futuro”

Intervenção de Dom Fisichella aos episcopados europeus

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BRUXELAS, sexta-feira, 26 de novembro de 2010 (ZENIT.org) - “É preciso abandonar a neutralidade que a Europa tem adotado sem posicionar-se a favor de si mesma e de sua história”, disse Dom Rino Fisichella, durante uma intervenção à COMECE (Comissão de Episcopados da União Europeia).

Dom Fisichella, presidente do Conselho Pontifício para a Nova Evangelização, participou, na quarta-feira à noite, da mesa redonda inaugural da plenária da COMECE, organismo que está cumprindo 30 anos de atuação.

Em sua intervenção, o prelado observou a importância de voltar a propor a fé cristã à Europa, não somente como parte de seu passado mas também de seu futuro.

“Nenhum de nós deveria cair na armadilha de pensar na união da Europa esquecendo que suas raízes nascem na fé que alimenta durante séculos a convivência e o progresso de povos diferentes”.

Os europeus “não têm uma língua só, e temos tradições culturais e jurídicas distintas; entretanto, nosso denominador comum é facilmente identificável no Cristianismo”.

Por isso, que ninguém crie ilusões sobre o futuro: não haverá uma Europa realmente unida prescindindo do que ela tem sido. Não será possível impor a cidadãos tão distintos um sentimento de pertença a uma realidade sem raízes e sem alma”.

 O prelado insistiu em que “somente uma forte identidade compartilhada poderá erradicar formas de fundamentalismo e de extremismo”.

“Se a Europa se envergonhar do que tem sido, das raízes que a sustentam e da identidade cristã que ainda a modela, não terá futuro. A conclusão poderá ser somente a de um ocaso irreversível.”

“Se a política não for capaz de um salto de qualidade que leve a encontrar um sistema de valores de referência que vá mais além da imposição ideológica, a contribuição à construção da Europa se verá comprometida”.

Entretanto, o prelado observou que, longe de buscar soluções, a Europa continua caminhando em direção a seu próprio colapso, com leis e medidas que vão contra seus próprios valores.

É necessário, afirmou, apoiar novamente a família, “se não se fizer isso por convicção, pelo menos por cálculo econômico”, para “evitar a decadência da responsabilidade social que se comprova constantemente”.

Outro desafio importante é a defesa da vida humana desde o instante de sua concepção até sua conclusão natural.

Dom Fisichella afirmou que vê no horizonte “a exigência de criar um modelo de humanismo capaz de realizar a síntese necessária entre o que é fruto da conquista dos séculos precedentes e a sensibilidade com a que interpretamos nosso presente”.

“Nós, os católicos, não nos subtrairemos à responsabilidade e não aceitaremos ser marginalizados. Estamos convencidos, de fato, de que nossa presença é essencial para que o processo em curso chegue a bom termo”.

Sem a presença significativa dos católicos, afirma, “a Europa seria em todo caso mais pobre, mais isolada e menos atrativa”.