Segundo dia de reunião do Conselho de Cardeais

Eles não são delegados continentais, mas pessoas de confiança do papa. Devido à audiência geral desta manhã, Francisco participou somente à tarde.

Roma, (Zenit.org) Redacao | 733 visitas

A reunião do Conselho de Cardeais que acontece no Vaticano de 1º a 3 de outubro teve hoje a sua segunda sessão.

O diretor da Assessoria de Imprensa da Santa Sé, padre Federico Lombardi, informou que, "antes de começar a reunião, os membros do conselho concelebraram a santa missa junto com o papa na capela da residência de Santa Marta".

O porta-voz acrescentou que o primeiro encontro, na manhã de ontem, se realizou na terceira loggia do apartamento papal, mas "hoje eles decidiram realizá-lo na Casa Santa Marta, onde todos estão hospedados".

"As reuniões acontecem numa pequena sala, não longe da capela, para facilitar logisticamente os trabalhos e para os participantes não terem que ir e vir do palácio apostólico. O horário é intenso: de manhã, das 9h às 12h30 e, à tarde, das 16h às 19h". O papa Francisco participou da sessão matutina e vespertina da terça-feira. Hoje ele não esteve presente de manhã por causa da audiência geral, mas participou à tarde e volta a participar amanhã.

Lombardi informou que, nesta quarta-feira, o conselho retomou os trabalhos tocando em temas como a reforma da cúria em seus vários aspectos, a função da Secretaria de Estado e a relação dos dicastérios entre si e com o santo padre. Houve muitas sugestões e contribuições. "É um trabalho de longo prazo. Não devemos esperar conclusões imediatas no curso destas jornadas”, enfatizou o porta-voz vaticano.

A importância de se instituir o Conselho de Cardeais com um texto manuscrito

O padre Lombardi comentou a ênfase do santo padre no significado do manuscrito com que ele instituiu na última segunda-feira o Conselho de Cardeais, porque é “um documento oficial que institucionaliza o conselho dotando-o de status jurídico e garantindo a estabilidade para continuar trabalhando também depois desta reunião”.

Não são delegados continentais

Lombardi enfatizou que os membros do conselho não são “delegados continentais”, mas componentes do colégio episcopal que são também cardeais e possuem uma rica experiência pastoral, já que procedem de grandes dioceses do planeta. O papa os escolheu por isso, não por serem supostos delegados dos episcopados das diversas partes do mundo. “Todos eles são pessoas que gozam de grande confiança e apreço por parte do papa. São pessoas com quem ele está em sintonia. O papa sente que os seus conselhos podem ajudá-lo a avançar na linha que ele considera justa para o governo da Igreja. Este não é um fato indiferente, porque a confiança e o apreço facilitam o clima de serenidade e a natureza do diálogo”.

Primeira reunião aconteceu ontem

A primeira reunião, na manhã de ontem, terça-feira, foi aberta com uma introdução feita pelo papa e seguida por uma reflexão sobre a eclesiologia a partir do concílio Vaticano II, ressaltando-se o caráter dos encontros: eles não miram apenas a organização e a eficiência de uma instituição, mas se contextualizam "numa visão teológica e espiritual da Igreja, inspirada na eclesiologia do Vaticano II e na sua aplicação".

“Naturalmente”, prossegue o padre Lombardi, “não se consegue isto numa mesa redonda de uma manhã. Mas fica indicada a perspectiva em que os membros do conselho se situam. Eles refletiram sobre alguns temas que o concílio já colocava: como reavivar e revigorar a relação entre a Igreja universal e local; falaram de comunhão e colegialidade, de uma Igreja dos pobres, do papel dos leigos... São todos pontos do concílio, presentes como pano de fundo. Eles raciocinam a essa luz e depois sobre as estruturas de governo”.

Cada participantes apresentou uma síntese das sugestões recebidas e trouxe materiais e anotações que fazem parte da documentação comum de trabalho do conselho. Foi realizada uma classificação dos grandes temas que devem ser encarados, não apenas nesta sessão, mas nas próximas também. A sessão vespertina foi dedicada ao sínodo dos bispos e contou com a participação do novo secretário da instituição, dom Baldisseri.

“É um tema prioritário, seja pela participação do episcopado através do sínodo na vida da Igreja, seja pela urgência de especificar qual será o próximo sínodo e iniciar a sua preparação. Provavelmente, dentro de poucos dias saberemos. O que não sabemos é se vai ser um sínodo ordinário ou extraordinário”, observa Lombardi, acrescentando que “o papa fez referência a um tema de caráter antropológico: a família à luz do evangelho, mas ainda não está definido”.

O papa Francisco disse ainda que temas de relevância como a pastoral familiar e matrimonial estarão na ordem do dia das atividades da Igreja nos próximos tempos.