Segurança das usinas nucleares nunca poderá ser absoluta

Editorial do Pe. Federico Lombardi em ‘Octava Dies’

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ROMA, segunda-feira, 21 de março de 2011 (ZENIT.org) - A energia nuclear é um recurso imenso para o homem, mas não podem ser ignoradas as questões levantadas pelos riscos que ela acarreta. É o que afirmou o Pe. Federico Lombardi, diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, na mais recente edição de ‘Octava Dies', semanário de notícias do ‘Centro Televisivo Vaticano', comentando os fatos ligados à usina nuclear de Fukushima.

Em 11 de março, um terremoto de magnitude 9 na escala Richter atingiu o nordeste do Japão, com seu epicentro na costa de Sendai, provocando um tsunami com ondas de até 10 metros de altura, que devastaram 650 km de costa. Desde então, houve mais de 150 réplicas do terremoto.

"As imagens da tragédia japonesa continuam, há dias, questionando-nos e preocupando-nos - observou o porta-voz vaticano. (...) Em poucos dias, a atenção do mundo não está mais focada na onda destrutiva, mas no desastre das usinas nucleares."

No sábado passado, porém, o chefe da Agência Internacional de Energia Atômica em Viena, Graham Andrews, não excluindo todos os fatores de risco, afirmou que "a situação está se desenvolvendo na direção certa".

"Os japoneses - disse o Pe. Lombardi - têm demonstrado que aprenderam a lidar com previsão com os riscos dos terremotos, de forma admirável, construindo edifícios capazes de suportar os tremores mais fortes. Em outros países, tremores semelhantes causariam um número indeterminado de mortos."

"No entanto, o progresso tecnológico japonês também demonstrou, no presente caso, um ponto fraco, de alguma forma inesperado - destacou depois. Uma das mais de 50 usinas nucleares japonesas foi seriamente danificada pelo terremoto, e isso foi suficiente para que começasse uma nova onda - desta vez de medo de uma outra fonte insidiosa de mortes -, que está cobrindo o mundo inteiro, mais do que a onda destrutiva do maremoto."

"A energia nuclear é um recurso natural enorme, que o homem procura colocar ao seu serviço, mas, se perde o controle, pode voltar-se contra ele - comentou o jesuíta. E ninguém sabe melhor do que os japoneses quais os efeitos da energia liberada a partir do coração da matéria dirigida contra o homem."

"A segurança das usinas e a proteção dos resíduos radioativos nunca poderá ser absoluta - sublinhou. É justo e adequado voltar a refletir sobre o uso correto do poder tecnológico, seus riscos, seus custos humanos. O Papa recomenda isso frequentemente."

"Hoje, na central enlouquecida, um grupo de heróis está generosamente dando a vida para a salvação de muitos. Como os bombeiros de 11 de setembro - concluiu. Como então, o amor solidário pelos outros, mesmo arriscando a própria vida, é a verdadeira luz na escuridão da tragédia. Indica a direção a seguir. É a mesma direção do caminho com Jesus até a Páscoa."