Seis novos cardeais para expressar o rosto da Igreja universal

Bento XVI: perspectiva universal da Igreja Católica como caráter fundamental da sua missão

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Salvatore Cernuzio

VATICANO, quarta-feira, 28 de novembro de 2012 (ZENIT.org) - Agregados à Igreja universal, para fortalecer os laços espirituais que vinculam a Igreja inteira, animada por Cristo e unida em torno do Sucessor de Pedro: é o que se espera dos seis novos cardeais criados na manhã de sábado, 24, pelo papa Bento XVI, no "miniconsistório" celebrado na Basílica Vaticana.

Os neo-cardeais são James Michael Harvey, ex-prefeito da Casa Pontifícia, nomeado arcipreste da basílica papal de São Paulo Extramuros; Sua Beatitude Bechara Boutros Raï, patriarca de Antioquia dos Maronitas, no Líbano; Sua Beatitude Baselios Cleemis Thottunkal, arcebispo maior de Trivandrum, na Índia; John Olorunfemi Onaiyekan, arcebispo de Abuja, Nigéria; Rubén Salazar Gómez, arcebispo de Bogotá, Colômbia; e Luis Antonio Tagle, arcebispo de Manila, Filipinas.

Este é o quinto consistório de Bento XVI, o primeiro tão "pequeno" em comparação com os de 2006, 2007, 2010 e especialmente o de fevereiro último, que viu a criação de 22 novos cardeais, com 10 escolhidos entre chefes de dicastérios da Cúria Romana.

A novidade deste “pequeno consistório” é que, além de ampliar para 211 o número de cardeais, dos quais 120 são eleitores e 91 octogenários, ele empurra a Igreja Católica para além das fronteiras da Europa, com seis purpurados de três continentes e de países diferentes: Estados Unidos, Líbano, Índia, Nigéria, Colômbia e Filipinas.

Anunciando o consistório no fim do Sínodo dos Bispos, em outubro, o Santo Padre tinha dito: "Eu quis, com este consistório, completar o consistório de fevereiro, no contexto da nova evangelização, com um gesto da universalidade da Igreja , mostrando que a Igreja é Igreja de todos os povos, fala em todas as línguas, é sempre Igreja de Pentecostes. Não é Igreja de um continente, mas Igreja universal".

"A Igreja é católica porque Cristo abraça toda a humanidade em sua missão de salvação", reiterou o papa.

Bento XVI refletiu sobre o significado de "católica" como "traço essencial da Igreja e da sua missão". Especificamente, "a missão de Jesus em sua vida terrena se limitou ao povo judeu, mas já era orientada desde o início a levar a todos os povos a luz do Evangelho e a trazer todas as nações para o reino de Deus".

Esta perspectiva "universalista" emerge da apresentação que Jesus faz de si mesmo como o "Filho do Homem" (Mc 10,33). "Jesus usa esta expressão rica e complexa e a refere a si mesmo a fim de mostrar o verdadeiro caráter do seu messianismo, como missão para o homem todo e para todos os homens, superando todos os particularismos étnicos, nacionais e religiosos".

A universalidade da Igreja de hoje, portanto, nos chama a seguir a Cristo e remete "à universalidade do plano divino da salvação do mundo", que leva à "comunhão com Deus" e "supera a fragmentação e a dispersão". Isto, acrescenta o papa, "fica evidente no dia de Pentecostes, quando o Espírito Santo enche com a sua presença a primeira comunidade cristã, para que o Evangelho se estenda a todas as nações e faça todos os povos florescerem como o único Povo de Deus" .

A missão universal da Igreja, precisa o Santo Padre, "não vem de baixo para cima, mas de cima para baixo, pelo Espírito Santo, e desde o seu primeiro momento é direcionada para estar em todas as culturas e formar assim o único povo de Deus".

O colégio dos cardeais se situa como uma expressão do rosto da Igreja universal. "Eu gostaria de enfatizar, através deste consistório, que a Igreja é Igreja de todos os povos, e, portanto, se expressa nas várias culturas dos diferentes continentes. É a Igreja de Pentecostes, que, na polifonia das vozes, alça um canto harmonioso ao Deus vivente".

Dirigindo-se aos novos cardeais, o papa explicou o simbolismo dos sinais que acompanham o rito. O solideu vermelho lembra que "vocês têm que estar preparados para agir com fortaleza, até à efusão do sangue, pelo crescimento da fé cristã, pela paz e pela tranquilidade do povo de Deus". O anel é como um aviso: "Saiba que com o amor do Príncipe dos Apóstolos é reforçado o seu amor à Igreja".

A cerimônia continuou com o rito da criação e da proclamação solene dos novos cardeais, juntamente com o anúncio da ordem sacerdotal ou diaconal, bem como do título ou da diaconia da Igreja de Roma. Seguiu-se a profissão de fé dos cardeais diante do povo de Deus e o juramento de fidelidade e obediência ao papa e aos seus sucessores.

Bento XVI expressou a esperança de que os novos cardeais sejam "colaboradores preciosos", inclusive “com a Cúria Romana”, e se sintam sempre chamados a "dar corajoso testemunho de Cristo”.

(Trad.ZENIT)