Sem autêntica fraternidade não há desenvolvimento, diz arcebispo

D. Walmor de Azevedo pede que nova consciência planetária chame-se solidariedade

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Por Alexandre Ribeiro

BELO HORIZONTE, sexta-feira, 16 de outubro de 2009 (ZENIT.org).- O desenvolvimento não pode ser tido simplesmente como progresso e aquisições materiais. É em desafio que implica a realização da fraternidade e da solidariedade, afirma o arcebispo de Belo Horizonte (Brasil), Dom Walmor Oliveira de Azevedo.

“As causas do subdesenvolvimento não são primariamente de ordem material. Suas razões se encontram em outras dimensões do homem”, assinala o arcebispo, em artigo enviado hoje a ZENIT.

Dom Walmor acredita que “não é mais possível admitir teses sobre desenvolvimento sem uma decisiva procura de um humanismo novo que permita ao homem moderno o encontro de si mesmo”.

“No entendimento sobre desenvolvimento no cenário contemporâneo, com as maravilhas dos avanços tecnológicos e com o poder do dinheiro, é um risco suicida não eleger a fraternidade entre os homens e entre os povos como lição sempre primeira destes processos e de seus desdobramentos.”

“Pode parecer muito distante o lugar da fraternidade e aquele da lógica do dinheiro e das conquistas científico-tecnológicas. Esta distância é responsável pelo comprometimento da qualidade de vida e provoca o crescimento da exclusão, jogando povos, culturas e nações num desumano ostracismo”, afirma.

Ao citar a encíclica Caritas in Veritate, o arcebispo brasileiro lembra que Bento XVI reconhece que a sociedade globalizada torna nações, homens e mulheres mais próximos, mas não os faz mais irmãos.

Em se pensando o desenvolvimento –explica Dom Walmor–, está em jogo “o desafio da realização de uma autêntica fraternidade”.

O arcebispo cita uma passagem da encíclica: ‘as pobrezas frequentemente nasceram da recusa do amor a Deus, de uma originária e trágica reclusão do homem em si próprio, que pensa que se basta a si mesmo ou então que é só um fato insignificante e passageiro, um estrangeiro num universo formado por acaso. O homem aliena-se quando fica sozinho ou se afasta da realidade, quando renuncia a pensar e a crer num Fundamento’.

“Na raiz deste enorme desafio está uma humanidade inteira alienada por entregar-se unicamente a projetos humanos, ideologias e falsas utopias, assevera o Papa Bento XVI.”

Dom Walmor considera que a humanidade precisa “encontrar o caminho para transformar a facilidade da proximidade que conquistou em verdadeira comunhão”.

É “determinante agora aplicar esforços para que na compreensão do desenvolvimento dos povos seja central o reconhecimento de que são uma só família, promovendo uma verdadeira comunhão e não se limitando simplesmente a viver uns ao lado dos outros”.

A cooperação da família humana –explica o arcebispo de Belo Horizonte– está “no âmbito de entendimentos e práticas, com aprofundamento crítico e pertinente, da categoria relação”.

“É preciso dar conta de encaminhar a humanidade para práticas que garantam a conquista do remédio da solidariedade, aquele que cura os males terríveis que estão corroendo a vida humana e o equilíbrio das sociedades.”

Segundo o arcebispo, “a nova consciência planetária deve chamar-se solidariedade, fazendo do desenvolvimento vida para todos”.