Semana Nacional da Família: Iniciação Cristã educação para a felicidade

Reflexões do pe. Wladimir Porreca, assessor Nacional da Comissão Episcopal Pastoral para a Vida e a Família

Brasília, (Zenit.org) Pe. Wladimir Porreca | 583 visitas

O ser humano é imagem e semelhança de Deus, para viver e conviver com Ele. Nem o ateísmo, nem o agnosticismo, nem a indiferença religiosa são situações naturais da pessoa humana e tampouco podem ser situações definitivas para uma sociedade. Todos nós estamos ligados essencialmente a Deus, como uma casa o está com relação ao engenheiro ou arquiteto que a construiu.

As dolorosas consequências dos nossos pecados podem obscurecer este horizonte, mas cedo ou tarde sentimos a falta da casa e do amor do Pai do Céu. Acontece conosco o que aconteceu com o filho pródigo da parábola: não deixou de ser filho quando foi embora da casa do seu pai e, por isso, apesar de todos os seus extravios, terminou sentindo um desejo irresistível de voltar. De fato, as pessoas que experimentam a misericórdia tem sempre saudade de Deus.

Consciente desta realidade, a família cristã apresenta, ensina, fala, expressa a presença de  Deus no horizonte da vida dos seus filhos que desde os primeiros momentos da sua existência consciente,  respiram e assimilam essa presença misteriosa de amor. A família é o lugar onde o filho é sempre filho: quando bem “comportado” ou quando se desvia daquilo que é o sonho dos pais para eles. Essa certeza deve ser o que o trará de volta, caso tenha se afastado da família. Isto os ajuda a descobrir e experimentar o amor acolhedor de Deus, e como consequência os leva com entusiasmo aos sacramentos de iniciação cristã. 

A família é, também, a primeira experiência de Igreja que recebe uma pessoa, pois nela a pessoa recebe uma primeira e elementar iniciação à fé, recebe os sacramentos mais importantes e tem a primeira experiência da caridade.

De fato, nascendo, os pais levam seus filhos para serem batizados e se comprometem a educa-los e iniciá-los á Vida Cristã, para que possam receber os demais sacramentos que confirmam e sustentam a fé: Confirmação e Eucaristia. Quando já têm a capacidade de entender algo, ensinam-lhes as primeiras orações, abençoam os alimentos com eles, usam sinais religiosos, e iniciam-lhes nos primeiros passos do amor à Mãe de Jesus.

Quando já são capazes de compreender algo, leem com eles a Palavra de Deus e a explicam de uma maneira singela e acessível. No momento de assumir as responsabilidades de sua vocação pessoal: matrimonial, presbiteral, religiosa, ou celibatária no meio do mundo, estão com eles. Desde o mesmo momento do seu nascimento, mostram-lhes um imenso carinho e uma constante dedicação, sobretudo, quando estão doentes ou têm alguma má formação ou deficiência física e/ou psíquica.

A educação na centralidade do amor a Deus não para nos sacramentos da Iniciação Cristã, mas continua a ser realizada pelos pais sobretudo através das realidades da vida diária: rezando em família nas refeições, estimulando nos filhos a gratidão a Deus pelos dons recebidos, recorrendo a Ele nos momentos de dor em qualquer uma das suas formas, participando na missa dominical com eles, acompanhando-os para receber o sacramento da Reconciliação, e outras.

Uma experiência particularmente intensa de Igreja em família acontece quando pais e filhos participam na Missa do domingo. Nela, ao reunir-se com outras famílias e outros irmãos na fé, escutam a Palavra de Deus, rezam pelas necessidades de todos os necessitados e se alimentam de Cristo imolado por nós. A fé cresce e se desenvolve com estas experiências tão bonitas que dão sentido à vida ordinária, infundem paz no coração.

- Educar para o amor a Deus consequentemente nos impulsiona ao amor aos irmãos. A pergunta do doutor da Lei só incluía “qual é o primeiro mandamento”. Mas Jesus, ao responder-lhe, acrescentou: o segundo, semelhante a este é: “amarás o próximo como a ti mesmo” (Mt 22, 39). O amor ao próximo, portanto, é “o seu mandamento” e “o distintivo” dos seus discípulos. “Se não amamos o próximo a quem vemos, como vamos amar a Deus, a quem não vemos?”(Jo,4,20).

A Catequese Familiar é uma grande proposta evangelizadora para pais e filhos, ambos são evangelizados e evangelizam-se.

Uma experiência, entre tantas, é a da Paróquia Santa Cruz, em Santa Cruz das Palmeiras-SP, que percebeu a eficiência e propriedade quando os pais ensinavam pela vida e catequese os valores cristãos/católicos para os seus filhos.

Vale a pena investirmos na Catequese Familiar, ela pode ser um precioso recurso para a Iniciação na Vida Cristã.

Pe. Wladimir Porreca

Diocese de São João da Boa Vista – SP

Assessor Nacional para a Vida e a Família - CNBB