Senado francês veta legalização da eutanásia

Após semanas de intensos debates e mobilização pela vida

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PARIS, quinta-feira, 27 de janeiro de 2011 (ZENIT.org) - Após uma longa reunião, que durou até a noite da terça-feira, 25 de janeiro, o Senado francês decidiu votar contra as três propostas de legalização da eutanásia no país, apresentadas por vários membros, tanto do governo como da oposição.

Assim terminou um intenso debate na sociedade francesa, entre os partidários da eutanásia - a maioria representada pela Associação para o Direito de Morrer com Dignidade, Jean-Luc Romero, e pelos progressistas de esquerda - e as associações pró-vida, associações médicas (o próprio colégio médico) e de cuidados paliativos, além de instituições religiosas e civis.

O debate chegou a provocar divisões dentro dos próprios partidos, especialmente dentro da UMP de Nicolas Sarkozy.

Poucas horas antes da votação, o próprio primeiro-ministro francês, François Fillon, opôs-se a estes projetos, descrevendo-os como "precipitados" e alegando que "não oferecem as garantias necessárias", enquanto apostava em "desenvolver os cuidados paliativos e rejeitar a obstinação terapêutica".

Na manhã da votação, a Associação Alliance pour les Droits de la Vie - que havia recolhido cerca de 55.000 assinaturas no site www.fautpaspousser.com - organizou uma manifestação em frente dos portões do Senado.

O arcebispo de Paris, cardeal André Vingt-Trois, que rejeitou, em nome da Igreja Católica, o projeto de lei várias vezes, elogiou a decisão do Senado, convidando seu país a mostrar "uma visão elevada do homem".

"A cultura de nosso país, sua história, sua responsabilidade perante a Europa e o resto do mundo, assim como sua fragilidade atual, comprometem-nos a demonstrar a ambição ética, com coragem e entusiasmo."

Seria irrealista, acrescentou o cardeal Vingt-Trois, "confundir mínimo denominador comum ético com coesão social. Só uma visão alta do homem pode construir a paz. O consenso que pretende basear-se na ética mínima será, de fato, uma caricatura sem futuro".