Senso comum na luta contra AIDS na África do Sul

Entrevista com o bispo Hugh Slattery, de Tzaneen

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Por Carrie Gress

TZANEEN, África do Sul, segunda-feira, 14 de janeiro de 2008 (ZENIT.org).- O preservativo não é uma solução efetiva na luta contra a AIDS, e a situação na África do Sul o comprova, explica o bispo Hugh Slattery, de Tzaneen, em uma entrevista concedida à Zenit.

Na mesma, o prelado sul-africano fala sobre o premiado documentário «Sowing in Tears» (Semear entre lágrimas), no qual colaborou com o produtor Norman Servais, de Metanoia Media.

O filme, no qual aparece também o cardeal Wilfrid Napier, arcebispo de Durban, África do Sul, ganhou o Grande Prêmio do 22º Festival Internacional de filmes e multimídia «Niepokalanow 2007» e será seguido por outros três documentários.

O documentário reflete a situação da província sul-africana de Limpopo. «A situação nesta província não é a pior – explica o bispo Slattery. Mas é realmente má em todo o país e continua piorando. A província de Limpopo é uma das mais pobres do país. Na população adulta, de 15 anos para cima, o índice de AIDS é de 20%, mas a maioria da população ignora sua situação e segue propagando a uma velocidade alarmante».

O documentário explica que a propagação da AIDS no país se deve essencialmente a três fatores: falta de acompanhamento dos jovens por parte dos pais, uma política inadequada e a influência de grupos de interesses externos. O bispo deplora sobretudo a falta de autoridade dos pais sobre os filhos.

«A transição à democracia neste país trouxe liberdade, mas a um preço, especialmente entre os jovens – explica. Promoveu-se de maneira agressiva uma cultura dos direitos humanos para todos, inclusive as crianças. Os pais têm a impressão de já não ter nenhuma autoridade sobre seus filhos e os deixam fazer o que querem. Às vezes, os jovens desafiam os seus pais: ‘Se você me tocar, eu conto para a polícia’.»

«O Governo aprovou uma lei de aborto muito permissiva, nos anos noventa, que permitia às menores abortar sem o consentimento de seus pais», sublinha o prelado.

Apesar da promoção do uso do preservativo que se fez nas escolas, há um alto índice de gravidezes entre as estudantes, que chega às vezes a 20%.

Segundo Dom Slattery, os benefícios econômicos desta situação são reais, já que a indústria do preservativo é um negócio multimilionário.

«A África do Sul e os países vizinhos de Botsuana e Suazilândia têm o índice mais alto de infecções do HIV do mundo e também de distribuição de preservativos», declara.

Para o prelado, «a conclusão é clara. Mais preservativos se traduzem em mais casos de AIDS e mais mortes. Pois é «politicamente incorreto» aqui e no mundo ocidental inclusive apontar a possibilidade de que os preservativos possam de fato estar propagando esta doença mortal ao invés de diminui-la».

As conseqüências, contudo, são dramáticas, declara.

O primeiro e decisivo passo, indica o prelado sul-africano, é procurar convencer as pessoas de que há um problema, na verdade, uma crise nacional. Este é o objetivo do primeiro DVD «Sowing in Tears».

O segundo passo é mostrar às pessoas, de uma maneira convincente, que existe uma resposta, e este será objeto de um segundo DVD: «The Change Is On» (A mudança está acontecendo), no qual se mostra que a abstinência antes e a fidelidade dentro do matrimônio deterão rapidamente a propagação da AIDS.

O terceiro DVD trata do cuidado dos doentes e dos órfãos, e o último, do matrimônio e da família como solução real à pandemia da AIDS.