Sentido de Deus como horizonte ético, segredo da luta em defesa da vida, diz arcebispo

Dom Walmor Oliveira de Azevedo enfatiza importância de acompanhar parlamento

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Por Alexandre Ribeiro

 

BELO HORIZONTE, segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008 (ZENIT.org).- O arcebispo de Belo Horizonte (Minas Gerais, Brasil), Dom Walmor Oliveira de Azevedo, acredita que um dos segredos da luta em defesa da vida é recompor o sentido de Deus na cultura, como horizonte ético iluminador da vida.

Dom Walmor, que é também presidente da Comissão Episcopal para a Doutrina da Fé da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), explica que uma cultura antivida instalou-se na sociedade como fruto de «uma mentalidade hedonista e individualista».

«É uma mentalidade fecundada por uma concepção distorcida da ciência, causando e fomentando violações contra a vida», destaca, em artigo enviado a Zenit sexta-feira passada.

Uma cultura que privilegia os «ídolos do poder, da riqueza e do prazer efêmero» traz como conseqüência «a relativização do valor e da dignidade da pessoa».

Quando estes ídolos «se tornam a norma máxima no funcionamento e na organização social» --explica o arcebispo--, os valores ficam comprometidos e as dignidades, negadas.

Isso é o resultado de opções que descartam «o sentido ético e moral como referência determinante de escolhas e de comportamentos».

Segundo Dom Walmor Azevedo, nesse âmbito é que se trava a «luta específica» «dos processos e tentativas de legislações que venham a permitir atentados contra a vida, como o aborto».

Os grupos pró-aborto e muitas pessoas apresentam como argumentações a favor de seus interesses particulares a laicidade do estado e o respeito a liberdades, mas essas argumentações, no contexto da violação da dignidade da pessoa, «são absurdos».

Diante disso, o arcebispo aponta a necessidade de fiscalizar os parlamentos, «para não permitir passos que possibilitem o estabelecimento da cultura da morte».

Dom Walmor acredita que a defesa da vida inclui necessariamente «a promoção de uma adequada compreensão da vida como dom de Deus».

Inclui ainda, «como capítulo central da preocupação pela dignidade humana, a luta e empenho permanentes na promoção e garantia das condições para que se viva segundo a grandeza desta dignidade».

O arcebispo enfatiza que o caminho da defesa da vida não se percorre «prescindindo de Deus», pois «a leitura e a interpretação da realidade que prescindem de Deus são obtusas e mutiladas».

«É imprescindível recompor o sentido de Deus na cultura contemporânea como horizonte ético iluminador da vida», afirma Dom Walmor.