Ser humano não perde sua dignidade com a enfermidade ou a velhice, explica o Papa

«A medicina se põe sempre ao serviço da vida», afirma

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CIDADE DO VATICANO, sexta-feira, 12 de novembro de 2004 (ZENIT.org).- João Paulo II constatou esta sexta-feira que a enfermidade ou a velhice não afeta em nada a dignidade da pessoa humana, a cujo serviço deve estar sempre a medicina.



«A medicina se põe sempre ao serviço da vida --afirmou--. Inclusive quando sabe que não pode vencer uma grave patologia, esforça-se para aliviar os sofrimentos».

Escutavam o Santo Padre os 600 participantes na conferência internacional que organiza no Vaticano de 11 a 13 de novembro o Conselho Pontifício para a Pastoral da Saúde sobre «Os cuidados paliativos».

«Trabalhar com paixão para ajudar o paciente em todas as situações significa tomar consciência da dignidade inalienável de cada ser humano, inclusive nas condições extremas do estado terminal», constatou o Santo Padre no discurso que entregou em italiano dirigido a pessoas da área da saúde, agentes de pastoral, especialistas em bioética, teólogos, etc.

«O sofrimento, a velhice, o estado de inconsciência, a iminência da morte não diminuem a intrínseca dignidade da pessoa, criada à imagem de Deus», indicou o pontífice.

«Entre os dramas causados por uma ética que pretende estabelecer quem pode viver e quem pode morrer, está o da eutanásia», reconheceu.

«Ainda esteja motivada por sentimentos de uma mal-entendida compaixão ou de uma mal-entendida dignidade que há que preservar, a eutanásia em vez de resgatar a pessoa do sofrimento, suprime-a», declarou.

«Pelo contrário, a verdadeira compaixão promove todos os esforços racionais a favor da cura do paciente. Ao mesmo tempo, ajuda a deter-se quando toda intervenção deixa de ser útil para alcançar esse fim».

De fato, esclareceu, «a rejeição do “encarniçamento terapêutico” não é uma rejeição do paciente e de sua vida».

«A decisão eventual de não empreender ou de interromper uma terapia considera-se eticamente correta quando esta resulte ineficaz ou claramente desproporcionada com respeito aos fins de sustentar a vida ou a recuperação da saúde», indicou o Santo Padre.

«A rejeição do “encarniçamento terapêutico”, portanto, é expressão do respeito que em todo momento se deve ao paciente», sublinhou.

O Papa alentou a adequada utilização de cuidados paliativos, como os analgésicos, assim como a formação em todos os níveis de pessoa neste sentido.

Os atentados contra a vida constituem uma das preocupações que mais inquieta o Papa, como também o demonstra a mensagem que enviou à Associação de Médicos Católicos Italianos, que está celebrando seu Congresso Nacional em Bari, publicada esta sexta-feira pela Sala de Imprensa do Vaticano.

Recordando os princípios éticos que fundamentam o Juramento de Hipócrates, a carta pontifícia assinala que «não existem vidas indignas de serem vividas; não há sofrimentos, por muito penosos que sejam, que possam justificar a supressão de uma vida; não existem razões, por maiores que sejam, que favoreçam a “criação” de seres humanos destinados a serem utilizados e destruídos».