Ser voluntário e ir às periferias existenciais dos hospitais públicos do Brasil

Associação Hospitalhaços já realizou mais de 5 milhões atendimentos. Entrevista com Mario Eduardo Paes, coordenador geral da ONG

Brasília, (Zenit.org) Thácio Siqueira | 493 visitas

A Associação Hospitalhaços é uma Organização Não Governamental (ONG) que utiliza a figura do palhaço para levar sorrisos ao ambiente hospitalar. O desafio diário da ONG é criar uma atmosfera mais leve, alegre e descontraída para pacientes, familiares e profissionais da área da Saúde. E para este fim, “temos a certeza de que nenhuma figura seria mais adequada que o palhaço para tal missão”, disse a ZENIT Mario Eduardo Paes, Coordenador Geral da Associação Hospitalhaços.

Atualmente a ONG atende 13 hospitais públicos, mantem e administra 4 brinquedotecas, conta com 2.500 voluntários cadastrados, 430 palhaços atuantes, e realiza mais de 30.000 atendimentos mensais.

Por meio de atividades lúdicas como aquelas realizadas pelo personagem do palhaço, ou nas brinquedotecas e nas oficinas de artes plásticas, cria-se as condições de bem estar, humanização e muita diversão

Foi fundada em 1999 por Walkiria Camelo, uma pernambucana que veio para Campinas acompanhando seu marido o Prof. Aurélio Ribeiro Leite. Walkiria conheceu o projeto de palhaços de hospital e decidiu que queria atuar na área de humanização hospitalar e, junto com 2 amigos montou o grupo Toy que logo teve fim, mesmo assim ela perseverou e, com muita determinação, deu origem às atividades dos Hospitalhaços.

Até o próximo domingo, a ONG está concorrendo a um carro no concurso Circuitos do Bem. Quem quiser ajudá-los a ganhar pode entrar no site http://goo.gl/GLyasv e votar pela equipe laranja.

Para ajudar de outras maneiras acesse: http://www.hospitalhacos.org.br/abraceacausa.html

Acompanhe a seguir a entrevista na íntegra que Mario Eduardo Paes concedeu à ZENIT:

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ZENIT: Como você entrou nesse projeto?

Mario Eduardo: No ano de 2001, eu li uma matéria no jornal sobre pessoas que levavam sorrisos e alegria a pessoas hospitalizadas, e essa reportagem dizia que a Ong estava precisando de voluntários. Logo entrei em contato e, em pouco tempo, lá estava eu e meu palhaço. Rapidamente me apaixonei pelo trabalho e ano após ano fui me envolvendo e me entregando. Em 2008 fui convidado pela fundadora para coordenar os trabalhos, visto que ela estaria retornando para seu Estado de origem, Pernambuco.

ZENIT: Quantas crianças já foram ajudadas?

Mario Eduardo: Atualmente a Ong realiza cerca de 30.000 atendimentos mensais, entre crianças e adultos. Desde o início das atividades foram mais de 5.000.000 de atendimentos.

ZENIT: Há planos de crescimento pelo Brasil afora?

Mario Eduardo: Estamos testando um formato de projeto de expansão na cidade de Cerquilho, e nossa ideia é aperfeiçoar este projeto para que possamos realizá-lo com eficácia em outros Estados, e porque não outros países?

ZENIT: Quais os projetos recentes que vocês estão realizando?

Mario Eduardo: 1- Programa de visitas regulares em hospitais; 2- Implantação, manutenção e administração de brinquedotecas; 3- Oficinas e workshops sobre humanização hospitalar e a arte do palhaço.

ZENIT: Qual é a experiência de fazer esse trabalho? O Papa Francisco fala muito de ir até o irmão que está na periferia da sociedade, seja essa existencial ou material. Vocês estão indo à periferia, daquelas pessoas que estão à margem da sociedade, nos hospitais?

Mario Eduardo: Com este trabalho tenho a oportunidade de conhecer muitas pessoas especiais que, junto com o trabalho realizado, transformaram por completo minha forma de pensar e agir. Hoje, como Coordenador Geral da Ong Hospitalhaços, tenho a plena convicção de estar no lugar e caminho certos, e procuro contagiar pessoas assim como um dia eu fui também contagiado!

Como realizamos nosso trabalho em hospitais públicos, temos a oportunidade de conviver com muitas pessoas que se encontram à margem da sociedade e que, além de sua condição desfavorável, ainda estão passando por um momento de dificuldade e dor, o que  as tornam ainda mais fragilizadas.

ZENIT: Como ser voluntário nesse projeto?

Mario Eduardo: Primeiramente, é preciso que seja feito um cadastro no endereço, www.hospitalhacos.org.br/cadastrodepalhaco.html

Este cadastro é automaticamente encaminhado para a administração, que responde, por email, dando as primeiras orientações.

Não é necessário ter experiência ou formação na área artística, pois, o candidato aprovado no processo, receberá uma capacitação que lhe permitirá descobrir o seu palhaço interior. E, através desta descoberta, ele irá escolher com qual ferramenta irá trabalhar seu personagem, tal como: fazer pequenas mágicas, esculturas de bexigas e contação de histórias, que são algumas das habilidades possíveis de serem desenvolvidas no decorrer do trabalho.

Ele pode colaborar doando, também, a sua capacidade profissional de várias formas e diversas ocasiões e constâncias em algumas das seguintes Equipes: Administração, Apoio, Bazar, Captação de Recursos, Comunicação, Eventos e Treinamento. E também como autônomo, Advogado, Gráfico, Doceiro, Artesão, Pedagogo, Psicólogo, Artista Plástico, Analista de Sistemas, Técnico em Informática, Publicitário, Profissional de Marketing, Relação Pública, Jornalista, Fotógrafo, Web Designer, Profissional de RH, Promotor de Eventos pode doar seus conhecimentos e serviços em benefício da Ong.