Sexualidade humana e AIDS, por D. Tony Anatrella

Destaca importância da educação em valores na prevenção do HIV

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ROMA, terça-feira, 21 de junho de 2011 (ZENIT.org) - “A sexualidade humana precisa ser compreendida por si mesma, ainda que corra o risco de ser definida em termos de proteção da saúde, de identidade de gênero e de orientações sexuais.”

Esta foi a reflexão do consultor do Conselho Pontifício para a Família e do Conselho Pontifício para a Pastoral da Saúde, Dom Tony Anatrella, ao intervir, no último dia 28 de maio, no colóquio internacional organizado em Roma sobre o tema “A pessoa no centro da prevenção, atenção e tratamento da transmissão do HIV e AIDS”.

Sua conferência se intitulava “A educação em valores na prevenção da AIDS ou a educação sexual em temos da AIDS: da teoria de gênero e das orientações sexuais”.

“A prevenção das doenças sexualmente transmissíveis (DST), em particular a transmissão do HIV, que pode desenvolver a AIDS, deu prioridade sobretudo, até o momento presente, aos aspectos sanitários e profiláticos, através de técnicas de proteção, como o uso do preservativo”, constatou Dom Anatrella.

“Esta perspectiva proposta aos jovens se mostra muito insuficiente – afirmou. Porque, propondo unicamente uma visão pragmática e sanitária da sexualidade humana, se dá a entender que basta proteger-se para fazer depois o que a pessoa quiser, sem ter de fazer-se outras perguntas.”

“Isso leva à banalização dos gestos sexuais no comportamento de numerosos jovens”, acrescentou.

“Ao querer limitar-se a uma representação pragmática e utilitarista, ideológica e sanitária da sexualidade, não nos pronunciamos sobre numerosos temas”, lamentou.

Entre tais temas, mencionou a interiorização e o processo psíquico de tornar a sexualidade subjetiva na adolescência, do seu acesso à simbolização, a responsabilidade moral dos atos e a mudança necessária de comportamentos frente ao uso irracional de práticas sexuais. “A mudança, para ser autêntica, tem de ser interior”, considerou.

Dom Anatrella falou do sentido da sexualidade humana que associa a afetividade à genitalidade, e do sentido da educação sexual que desperta o sentido do amor e leva em consideração as idades psicológicas, evitando os discursos que exibem a sexualidade dos adultos.

Também abordou o sentido dos valores a partir de princípios racionais reconhecidos pela inteligência cristã, que precisam ser transmitidos: o sentido do amor no centro da escolha livre dos esposos, da castidade, da abstinência sexual e da fidelidade.

Todos estes valores, acrescentou, contribuem para humanizar a sexualidade, favorecer a maturidade afetiva e a qualidade moral dos vínculos sociais.