Simpósio das Conferências Episcopais da África e de Madagascar

SECAM: bem comum, respeito pelos direitos humanos e bom governo: elementos essenciais do evangelho

Cidade do Vaticano, (Zenit.org) | 940 visitas

"Governança, bem comum e transição democrática na África" ​​é o título da carta pastoral preparada pelo Simpósio das Conferências Episcopais da África e de Madagascar (SECAM), organismo que reúne todos os bispos católicos do continente. A carta foi apresentada em Acra, Gana, pelo cardeal Polycarp Pengo, arcebispo de Dar es Salaam, Tanzânia, e presidente do SECAM.

A carta pastoral, que segue a linha da exortação apostólica pós-sinodal Africae munus, do papa Bento XVI, destaca que "a Igreja não pode permanecer indiferente e isolada em face dos atuais desafios sócio-políticos e econômicos africanos" e recorda que "o bem comum, o respeito pelos direitos humanos e a promoção do bom governo são elementos essenciais da mensagem do evangelho".

Recordando a missão profética da Igreja, o texto afirma que "a justiça que os profetas exigem não é uma justiça abstrata; ela consiste em ações muito concretas e reais, que garantem a proteção do mais frágil contra o abuso, que satisfazem as necessidades dos pobres e que cuidam das pessoas socialmente desfavorecidas. Trata-se de dar a cada um o que Deus previu, sem distinções".

O documento aponta ainda a falta de postos de trabalho em muitos países africanos e observa que "o drama da migração, com um número crescente de jovens que arriscam a vida para deixar a África, reflete a profundidade do mal-estar de um continente que não oferece condições propícias para o desenvolvimento dos seus filhos e filhas".

Também "a situação das mulheres é outra fonte de preocupação. O SECAM afirma que homens e mulheres são iguais em dignidade na sua humanidade perante Deus, uma vez que ambos são criados à imagem e semelhança de Deus. É por isso que devemos garantir que todos tenham a oportunidade de realizar o seu papel específico na Igreja e na sociedade em geral".

Quanto ao bom governo na África, os bispos do SECAM lançam um apelo aos líderes políticos e aos governantes africanos para "fazerem da erradicação da pobreza uma prioridade, colocando os benefícios da exploração dos recursos do subsolo do continente, da terra e das florestas, a serviço do desenvolvimento do próprio país, para proveito de toda a nação e dos seus habitantes. Pedimos que não se interrompa a luta contra a corrupção. A corrupção é um câncer que destrói as nossas nações".

“A Igreja”, prossegue a carta pastoral, “está no centro de todos os esforços em prol de uma governança mais eficaz. Em muitos países, no período delicado de transição democrática dos anos1990, aIgreja teve um papel de apoio claro e visível. Cinco das oito conferências nacionais transitórias organizadas na época foram presididas por bispos católicos. A intervenção da Igreja contribuiu, em alguns casos, para garantir processos pacíficos de transições democráticas, com grandes sucessos, através de consultas e de diálogos participativos. Numerosos cristãos, em algumas situações de instabilidade, têm contribuído para a implementação da paz e da reconciliação. A Igreja tem que assumir as suas responsabilidades no contexto sócio-político e envolver-se plenamente na profunda transformação da nossa sociedade".

A nota foi divulgada na quarta-feira (20) pelo Serviço de Informação do Vaticano (VIS).