Sínodo apresenta 55 proposições a Bento XVI

Entre as novidades, pede-se abertura do leitorado às mulheres

| 1684 visitas

CIDADE DO VATICANO, domingo, 26 de outubro de 2008 (ZENIT.org).- As sessões de trabalho do Sínodo dos Bispos sobre a Palavra de Deus terminaram ao meio-dia deste sábado, com a aprovação das 55 proposições que a assembléia sinodal apresentou a Bento XVI.

As proposições foram votadas eletronicamente nesta manhã pelos 244 padres sinodais presentes na sala. Para serem aprovadas, cada uma delas deveria receber pelo menos dois terços dos votos. O voto era placet (sim) ou non placet ( não).

Todas as proposições apresentadas foram aprovadas, confirmando os comentários que os padres sinodais haviam feito durante a assembléia, segundo os quais este foi talvez o sínodo de maior consenso desde que se reintroduziu a instituição após o Concílio Vaticano II.

As duas primeiras proposições constituem a «Introdução». Nelas se pede que o Papa leve em consideração estas propostas, assim como os documentos surgidos do Sínodo e sua preparação, para redigir o documento que recolherá os resultados da XII Assembléia sinodal dos bispos do mundo inteiro.

Primeira parte

A primeira parte em que se dividem as proposições, «A Palavra de Deus na fé da Igreja» (proposições 3 a 13), faz propostas para que as comunidades católicas compreendam e vivam melhor sua relação profunda com a Palavra, Jesus Cristo, a quem é possível encontrar na leitura e na meditação das Escrituras.

Sublinham o papel do Espírito Santo, da Igreja e da Tradição, assim como sua íntima relação com a Eucaristia.

Três proposições apresentam a Palavra de Deus como Palavra de reconciliação, Palavra de compromisso a favor dos pobres e fundamento da lei natural. Estas proposições analisam também a relação inseparável entre o Antigo e o Novo Testamentos.

Segunda parte

A segunda parte do documento (proposições 14 a 37) trata do tema «A Palavra de Deus na vida da Igreja». Entre outras coisas, oferecem idéias concretas para melhorar as homilias, pede-se uma revisão do Lecionário – a seleção de leituras bíblicas utilizadas na liturgia –, promove-se a Lectio Divina (leitura orante da Escritura) e se pede a abertura do ministério do leitorado às mulheres.

Nesta parte se solicita também a superação do dualismo entre exegetas e teólogos, assim como entre exegetas e pastores, reconhecendo a cada um sua tarefa insubstituível.

A proposição número 37 contém um elemento histórico, pois acolhe a contribuição do patriarca Bartolomeu I de Constantinopla, quem, pela primeira vez, interveio em um sínodo mundial católico. Desta forma, pela primeira vez, o magistério de um patriarca ortodoxo poderia começar a fazer parte do magistério ordinário do Papa.

Terceira parte

A terceira parte recolhe as proposições 38 a 54, sobre «A Palavra de Deus na missão da Igreja». Nela se fala da Palavra e da arte, da Palavra e da cultura, assim como da tradução e da difusão da Bíblia.

Outros temas tratados são o da transmissão da Palavra através dos meios de comunicação social, assim como a questão da leitura fundamentalista da Bíblia e o fenômeno das seitas.

Outros temas do capítulo são o diálogo inter-religioso, a promoção de peregrinações e estudos na Terra Santa, «quinto evangelho», o diálogo com os judeus e com os muçulmanos e a relação entre Palavra e custódia da criação.

A última proposição, escrita como conclusão (número 55), é dedicada a Nossa Senhora, modelo de fé do crente, e nela convidam a promover a oração do Ângelus e do terço, contemplação da Palavra com os olhos da Mãe de Cristo.

Trabalho esgotante

As proposições foram redigidas, com a ajuda dos relatores dos grupos de trabalho lingüísticos do Sínodo (círculos menores), pelo redator geral deste Sínodo, cardeal Marc Ouellet, P.S.S., arcebispo de Québec (Canadá), e pelo secretário especial, Dom Laurent Monsengwo Pasinya, arcebispo de Kinshasa, presidente da Conferência Episcopal da República Democrática do Congo.

Esta equipe de trabalho chegou a passar toda uma noite sem dormir para poder apresentar ao Sínodo uma versão definitiva das proposições, capaz de receber um consenso tão compartilhado.

Normalmente, as proposições têm um caráter secreto, mas Bento XVI pediu à secretaria do Sínodo que sejam publicadas em uma tradução em italiano, «provisória» e «não-oficial».