Sínodo sobre a família falará também de redes sociais e internet

Particular interesse é voltado ao binômio família-mídia

Roma, (Zenit.org) Jorge Henrique Mújica | 649 visitas

A Santa Sé divulgou o texto que servirá de base para o trabalho do sínodo dos bispos de outubro deste ano, em Roma, que, por vontade do papa Francisco, abordará os desafios pastorais da família no contexto da evangelização.

Desde que foi revelada a temática central do sínodo, especulou-se quase exclusivamente que o tema giraria em torno da permissão de comungar que viria a ser concedida às pessoas divorciadas civilmente e unidas a outros cônjuges em novas núpcias civis. O texto-base, porém, vai muito além desta problemática específica. Um exemplo de particular interesse é a atenção dedicada ao binômio família-mídia.

A relação entre os meios de comunicação e a família é tocada na segunda parte do documento (intitulado “A pastoral da família perante os novos desafios”), em especial na seção “Situações críticas internas à família”. São dois os números que falam mais especificamente sobre “Dependências, meios de comunicação e redes sociais”: o número 68 e o 69.

O número 68 aborda o tema concentrando-se na dependência da internet e das redes sociais e nos problemas relacionais consequentes:

“A televisão, os smartphones e os computadores podem se tornar um impedimento real para o diálogo entre os membros da família, por alimentarem relações fragmentadas e alienação: mesmo na família, verifica-se a tendência ao uso crescente da tecnologia na comunicação. Deste modo, acabam-se vivendo relações virtuais entre os membros da família, nas quais os meios de comunicação e o acesso à internet substituem cada vez mais as relações reais […] Existe a possibilidade de que o mundo virtual se transforme em uma autêntica realidade substitutiva […] As respostas destacam reiteradamente que estes instrumentos se apoderam inclusive do tempo livre da família”.

O número 69 enfatiza o excesso informativo, o “aumento exponencial da informação recebida, que, com frequência, não é acompanhado por um aumento da qualidade, além da impossibilidade de se verificar sempre a credibilidade das informações disponíveis on line”.

O “instrumentum laboris” apresenta os meios de comunicação, portanto, como um desafio para a família. Não se trata de uma sentença sobre a bondade ou maldade dos meios de comunicação, e sim de uma consideração do seu uso como um desafio no ambiente do lar.

No primeiro caso, pode-se agregar uma consideração a mais: estamos diante das primeiras gerações “criadas digitalmente”, já que, em muitos lares, a convivência se concretiza só através de dispositivos móveis carentes de senso relacional autêntico, mas que dão a impressão psicológica de proximidade. No segundo caso, temos uma saturação noticiosa que, no longo prazo, forma pessoas incapazes de discernir, julgar e emitir pareceres ponderados. Tratando-se de fenômenos vistos como situação crítica interna à família, pressupõe-se que só dentro dela podem ser encontradas as soluções autênticas.

O “instrumentum laboris” reúne as contribuições de todos os episcopados do mundo e as respostas enviadas à secretaria do sínodo dos bispos pelos dicastérios da cúria romana, pela União de Superiores Gerais e por associações, universidades, grupos e indivíduos.