Sínodo visto pelos jornalistas

Falam os correspondentes

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Por Carmen Elena Villa Betancourt

CIDADE DO VATICANO, sexta-feira, 24 de outubro de 2008 (ZENIT.org).- Desde a inauguração do Sínodo sobre a Palavra de Deus, em 5 de outubro passado, dezenas de jornalistas de diferentes idiomas vão diariamente à sala de imprensa da Santa Sé para os tradicionais «briefings», onde têm a oportunidade de entrevistar os participantes e conhecer conteúdos das discussões.

ZENIT falou com vários deles e captou muitas de suas impressões: pouco polêmico, muito profundo, ecumênico e com linhas claras foram alguns dos adjetivos com os quais os jornalistas qualificaram o Sínodo. 

Pouco polêmico 

Como um evento cujo eco «não se sente na opinião pública secular» foi definido o Sínodo por Lady Peters, produtora local em Roma para a companhia holandesa KRO Broadcasting. A jornalista destacou deste evento a profundidade com a qual se falou sobre o conteúdo das Sagradas Escrituras, sobre uma reta interpretação da Bíblia: «Creio que este é um discurso que avança que não é definitivo», considerou. 

Também destacou o espírito ecumênico do patriarca de Constantinopla, Bartolomeu I, e assegurou que foi muito estratégico que não tivesse estado no Sínodo desde o começo: «Si tivesse sido assim, toda a atenção do Sínodo seria só para o ecumenismo. A Bíblia é o ponto central no qual ele deu sua contribuição», disse. 

«Um Sínodo é importante sobretudo pela coesão. Sentir-nos uma Igreja. Os discursos dos bispos nos fazem entender que a Bíblia está no centro da Igreja, da fé», concluiu a jornalista, que também trabalhou na cobertura de outros sínodos. 

Por sua parte, a jornalista Angela Ambrogetti, do Vatican Service News e vaticanista do jornal italiano Il Secolo XIX, disse que, jornalisticamente falando, o Sínodo «não foi interessante», porque os bispos não se dedicaram a resolver assuntos práticos que interessam à imprensa leiga. 

No entanto, destacou o senso de comunhão e o entusiasmo dos padres sinodais, sobretudo ao levar em consideração que mais da metade participou pela primeira vez de um sínodo. 

«Deu-se grande importância à constituição dogmática Dei Verbum e sobre como anunciar a Palavra pastoralmente. Mais que apresentar grandes propostas, este sínodo se encarregou de mostrar o trabalho que se faz em todos os continentes», assegurou Angela, que desde 1990 trabalhou na cobertura de todos os sínodos de diferentes gêneros. 

Para Constanzo Donegana, do jornal mensal Mundo e Missão do Brasil, a participação de leigos e religiosos como observadores foi fundamental no Sínodo: «Sobretudo os círculos menores podem dar sua contribuição e também os de outras igrejas», disse. 

E comentou como se promoveu o ponto de união da Palavra de Deus: «Percebi uma visão compacta da Palavra de Deus no aspecto espiritual e no aspecto de incidência desta na vida no mundo e na sociedade». 

Esta é a primeira vez que Constanzo cobre um sínodo, mas participou da cobertura das conferências episcopais de Santo Domingo em 1992 e Aparecida em 2007. 

«A Palavra de Deus não é uma literatura, é Deus que fala e continua falando. Esta recuperação do sentido sobrenatural de Deus que fala vai ser muito importante para toda a Igreja», concluiu Constanzo. 

Por sua parte Jorge Sandoval, correspondente em Roma há 35 anos para o jornal El Sol de México, constata que no Sínodo se assinalaram vários temas, desde os problemas como a pobreza na América Latina e África até a secularização e o relativismo na Europa.

«O que destaco é a necessidade de que a Igreja seja mais Igreja. Não deve esperar a que as pessoas batam à sua porta. Deve abrir a porta e sair. Creio que esta é uma das coisas que se debateu e uma das coisas necessárias. Que as pessoas sejam mais Igreja, mais missionárias», assegurou.