Síria: É um apocalipse e esperamos a ressurreição

Arcebispo maronita de Damasco fala dos conflitos

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ROMA, segunda-feira, 23 de julho de 2012 (ZENIT.org) - “Estamos vivendo um apocalipse em Damasco, mas esperamos de todo o coração e com todas as nossas forças que chegue logo a ressurreição”, declara dom Samir Nassar, arcebispo maronita de Damasco, na Síria.

O dramático depoimento enviado pelo prelado à agência Fides afirma que “os combates prosseguem em Damasco desde a última quarta-feira, com o uso de armas pesadas, tanques e helicópteros, numa cidade que está cheia de civis. A destruição é enorme. Que calvário! Os combates acontecem nas ruas e se espalham de um bairro para o outro. Eu não consigo dormir por causa do medo e do barulho das bombas e dos tiros. A temperatura está acima dos 40 graus e sofremos constantes interrupções no fornecimento de energia eléctrica. Faltam provisões em muitos setores e começa a ser sentida a penúria da população. Quase não temos mais pão, verduras, gás de cozinha nem combustível para o aquecimento. A população está aterrorizada e não sabe onde se refugiar. As rodovias para a Jordânia, para o Iraque, para a cidade síria de Aleppo e para a região ao norte de Homs estão fechadas. Uma longa fila de pessoas foge pela estrada rumo ao Líbano, num êxodo em meio ao pânico generalizado”.

Voltando-se aos desabrigados de Damasco, o arcebispo afirma: “Espero que vocês encontrem uma casa, recordando que, no passado, os sírios acolheram os refugiados palestinos, libaneses e iraquianos”.

Dom Nassar acrescenta: “Os poucos fiéis que tiveram coragem de vir à missa acenderam muitas velas no túmulo dos beatos mártires de Damasco. Trocaram abraços e lágrimas, temendo que fosse a última vez em que se viam, antes de voltarem para casa em meio a tiros e explosões”.

Damasco tinha escapado da violência que vem devastando as outras cidades da Síria. “Agora é a nossa vez de sofrer e morrer”, diz o arcebispo, completando: “Acabamos de construir um refúgio debaixo das escadas, para escapar das bombas, e limpamos os porões da paróquia. É um apocalipse: esperamos que a ressurreição não demore a chegar, depois de tanto sofrimento”.

(Trad.ZENIT)