Síria grita: "Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?"

Embora o país esteja sob o olhar da mídia por mais de três anos, ninguém sente a responsabilidade por essa terra histórica, tanto para o cristianismo quanto para o islamismo

Roma, (Zenit.org) Fadi Sotgiu Rahi, C.SS.R. | 519 visitas

A República Árabe da Síria está no centro das atenções de todos os meios de comunicação, nacionais e internacionais, há três anos. Apesar disso, é possível afirmar que todos abandoram a Síria a si mesma. Talvez acabou a Guerra? Talvez caiu o regime? Não há terroristas lá? Os refugiados sírios voltaram? Domina a paz e a tranquilidade agora?

Politicamente, o II Congresso de Genebra, realizado para estudar a situação e resolver o problema sírio, não teve nenhum resultado. Há alguns dias, Lakhdar Brahimi, enviado da ONU na Síria, organizador do congresso, renunciou ao cargo. Os políticos, em primeiro lugar, esqueceram a situação da Síria depois do acontecido entre Rússia e Ucrânia.

Religiosamente, os cristãos são as vítimas desta guerra internacional em solo sírio desde o início; por causa disso, mais de um milhão de cristãos emigraram para o Líbano e a Europa. A maioria das igrejas, especialmente as mais antigas, foram destruídas (Maalula , Saydanaya e Saddad), os mosteiros tornaram-se quartéis para terroristas; os primeiros ícones foram roubados; o sangue dos mártires regou o território sírio e os missionários estrangeiros presentes na Síria há mais de 30 anos, foram mortos por causa de sua fé (pensemos só no padre holandês Frans Van der Lucht, S.J.).

Humanamente falando, como não podemos sentir o grito dos cidadãos que permaneceram em Aleppo sem água por 20 dias? Como podemos aceitar que, no século XXI, aldeias inteiras vivam sem eletricidade e telefone? Como 12 milhões de refugiados podem voltar para a terra, sem nem saber onde esteja a própria casa? Como podemos dormir ouvindo o lamento de um bebê chorando por algumas gotas de leite? Como podemos jogar fora a comida, sabendo que os sírios estão procurando um pedaço de pão?

Responsavelmente, o regime está tentando recuperar os territórios em que os terroristas têm dominado: libertou Maalula, uma das aldeias que ainda hoje fala o aramaico, a língua de Jesus; libertou a parte velha de Aleppo e outras três regiões; prendeu alguns responsáveis dos grupos terroristas e massacrou outros. Em várias partes da Síria, o conflito entre os terroristas e os militares sírios continua com o apoio de algumas nações árabes, que fornecem armas e financiam os terroristas.

É verdade que a situação na Síria não é tranquila. É verdade que a paz não chegou sequer remotamente. É verdade que o presidente ainda é o mesmo, embora no dia 3 de junho haverá eleições para eleger um novo. É verdade que o regime está recuperando uma grande parte do território sírio. Mas hoje, ninguém olha para a Síria nem para o seu povo; ninguém dos responsáveis tenta resolver a situação; ninguém sente a responsabilidade para com esta terra histórica, seja para o cristianismo que para o islamismo. Ninguém ajuda as pessoas que têm a mesma dignidade humana e que são a imagem de Deus.

A Síria não grita somente a Deus, mas também, em primeiro, para os políticos, para a humanidade e cada homem em particular, para que cada um assuma a própria responsabilidade. Continuemos a orar pelos sírios e pela paz na Síria, mas, antes de mais nada, pela consciência de cada responsável político em todo o mundo. (Trad.TS)