Síria: Vaticano alerta para agravamento da situação humanitária na região

Encontro com 25 representantes da Santa Sé e o Núncio Apostólico na Síria

Roma, (AIS) | 488 visitas

O Vaticano está muito preocupado com o agravamento da guerra civil que está a destruir a Síria, que atingiu proporções “inqualificáveis” de violência, e das suas consequências a nível humanitário.

O Conselho Pontifício “Cor Unum”, que é responsável pela coordenação das organizações caritativas da Igreja Católica, e de que faz parte a Fundação AIS através do seu presidente-executivo, Johannes Freiherr von Heereman Zuydtwyck, esteve reunido na passada terça e quarta-feira para debater precisamente a crise na Síria. 

No encontro participaram 25 representantes da Santa Sé, das Igrejas locais, dos organismos caritativos, benfeitores de instituições do mundo católico e o Núncio Apostólico na Síria.  No comunicado final ficou expressa a mais profunda preocupação pelo evoluir dos acontecimentos na Síria, registando-se o alerta para “o agravamento das condições de vida da população, por causa da aproximação do Verão”, com o aumento dos riscos “de epidemias, de falta de medicamentos e de assistência para a população”, especialmente as “grávidas, crianças, idosos e os deficientes”.

Os conselheiros sublinham que a guerra civil na Síria transformou-se num dos “conflitos armados mais letais, com mais vítimas civis em relação aos militares, com o maior número de deslocados e refugiados”, e que a “violência e todos os tipos de abuso atingiram níveis inqualificáveis, sem qualquer consideração pela dignidade humana”.

Os representantes das mais de 25 instituições presentes no encontro revelaram que a Igreja Católica oferece ajuda regular a “mais de 400 mil pessoas”, num total de mais de 25 milhões de euros, esforço financeiro que traduz também o trabalho e o apoio dos benfeitores e amigos da Fundação AIS em Portugal e no resto do mundo. 

Um esforço que necessita ser continuado já que, segundo dados revelados no comunicado final do Conselho Pontifício “Cor Unum”, ao fim dos dois anos de conflito na Síria há, neste momento, cerca de 7 milhões de pessoas que precisam de ajuda humanitária, registando-se mais de quatro milhões e meio de deslocados internos e um número crescente de pessoas que querem sair do país em busca de segurança. 

Em resposta aos apelos recebidos directamente da Igreja na Síria, a Fundação AIS aprovou ontem, quinta-feira, dia 6, o envio de 30 mil euros de ajuda de emergência para algumas dioceses na região de Homs. Esta verba destina-se essencialmente à compra de alimentos e de outras necessidades básicas para a comunidade cristã que ainda permanece no país e que, em muitos casos, estão praticamente isolados e abandonados à sua sorte.