Sobe o número de pessoas afetadas pela cheia do Madeira

Segunda reportagem da cobertura especial nas regiões atingidas pela cheia do Rio Madeira, a jornalista Karla Maria e o fotojornalista Joaquim Souza são enviados especiais pelos veículos associados à Signis Brasil, Impressos e Rede Católica de Rádios a Por

São Paulo, (Zenit.org) Redacao | 299 visitas

Subiu para 29.570 o número de pessoas afetadas em Rondônia pela cheia do Rio Madeira. A principal região prejudicada é Porto Velho e seus distritos. Segundo o Corpo de  Bombeiros, 3.736 famílias tiveram que deixar suas casas. 

De acordo com a Agência Nacional de Águas, ontem, o nível do rio Madeira, em Porto Velho, atingiu 19 metros e 54 centímetros, abaixo da máxima histórica já atingida, de 19 metros e 70 centímetros. O ribeirinho Francisco de Souza, morador da Comunidade de Niterói, não abandonou sua casa com a cheia histórica. Mora com sua esposa no segundo andar da casa que está parcialmente submersa pelas águas do Rio Madeira. Agora, com a baixa do rio, preocupa-se.

“Se eu fosse para a cidade teria de dividir banheiro com muitas pessoas, ficar morando em escolas. A gente nunca fica da maneira que gosta. Achei melhor ficar. Agora vou sair porque com o rio baixando vai ficar só a lama”, explicou Francisco em sua canoa, em seu quintal, o Rio Madeira. 

Francisco e sua esposa, como outras 700 famílias do Médio Madeira decidiram permanecer nas margens do rio. Montaram acampamentos dentro da floresta, sob lonas, em pontos altos, morros. Sem energia, vivem de frutas, do peixe e do açaí. Recebem de quinze em quinze dias uma cesta básica da Defesa Civil de Porto Velho, somados a dois galões de cinco litros de água potável, cada.

Secretário declara 
Em entrevista exclusiva, o secretário de Saúde de Porto Velho, Domingos Sávio, disse que o baixo Madeira inteiro, com exceção de Demarcação e Calama, está debaixo dágua. “Nós não estávamos preparados para esta cheia, não pensávamos que ela viria tão intensa. Todos os anos nós temos essa cheia, mas não como essa. Hoje, praticamente todos os nossos distritos com pouquíssimas excessões estão debaixo dágua”, disse o secretário, reforçando.

“São Carlos está totalmente debaixo d`água, Nazaré 100% debaixo d`água, além de São Miguel, Fortaleza do Abunã, Abunã, o próprio Jaci-Para, então nós temos aí pelo menos 25 localidades que estão de baixo d’água”.

No dia 3, o governador Confúcio Moura decretou estado de calamidade pública em Rondônia para facilitar o atendimento às vítimas da enchente. Todos os órgãos estaduais estão autorizados a colaborar com a Coordenadoria Estadual de Defesa Civil nas ações de resposta ao desastre. 

O decreto estadual também autoriza as equipes a entrar nas casas para prestar socorro ou determinar a evacuação, sob pena de serem responsabilizadas no caso de omissão. No dia 17 de março, a Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil, do Ministério da Integração Nacional, reconheceu o estado de calamidade pública em Porto Velho.

Por Karla Maria e Joaquim Souza 

[Fonte: Signis Brasil]