Sobre o Cristo Redentor do Rio de Janeiro (III)

Qual a razão do brado inquisitorial dos envolvidos no filme "Rio, eu te amo" e contra quem ele se dirige? É contra a Arquidiocese do Rio de Janeiro que os produtores do filme se levantam.

Amparo, (Zenit.org) Vanderlei de Lima | 594 visitas

A Igreja, em sua Tradição recebida de Cristo e dos Apóstolos, venera as representações do Senhor, da Virgem Maria, dos Anjos e dos Santos(as) contidas nos templos ou fora deles, pois são sinais que do visível pretendem ajudar-nos, enquanto seres psicossomáticos que somos, a chegar ao invisível.

É dentro deste princípio, muito válido, que a Arquidiocese do Rio de Janeiro, não concedeu permissão para a imagem do Cristo Redentor ser veiculada em cenas consideradas desrespeitosas no filme “Rio, eu te amo”.

De imediato, a pergunta que pode aflorar é a seguinte: além do importante aspecto religioso, já mencionado, que outra grande razão teria a Arquidiocese para não autorizar o uso da estátua do Senhor no Corcovado nas filmagens de José Padilha?

A resposta é simples: porque o grande ícone, embora esteja localizada em um espaço público, como estão as igrejas nas praças das cidades, é propriedade da Arquidiocese do Rio e cabe a ela, portanto, ser consultada para autorizar ou não o uso de imagem da estátua que contém nos pés um santuário (templo dedicado a peregrinações dos fiéis e também de turistas brasileiros e estrangeiros).

Importa lembrar que o Cristo Redentor não foi construído pelo Estado e doado à Igreja, como se constroem e doam estádios de futebol a alguns clubes. Ao contrário, aquela estátua é fruto de grandes esforços do povo católico brasileiro desejoso de secundar, em 1888, um sonho da Princesa Isabel – a redentora dos escravos africanos que aqui viviam por meio da Lei Áurea – de erigir no Morro do Corcovado uma imagem do Sagrado Coração de Jesus.

Em 1921, porém, o General Pedro Carolino Pinto de Almeida, por meio do Círculo Católico, novamente, levantou a ideia de se construir uma imagem de Cristo, no Morro do Pão de Açúcar, abençoando a Cidade Maravilhosa. Ideia que o Cardeal Dom Joaquim Arcoverde de Albuquerque Cavalcanti aprovou, embora ainda se restassem dúvidas quanto ao local exato da construção: Pão de Açúcar, Santo Antônio ou Corcovado? Venceu, como se sabe, por votação, este último.

Apresentados, pois, três projetos arquitetônicos, o de Heitor da Silva Costa foi o vencedor. Com esses passos dados, um grupo de 20.000 senhoras cariocas, sob a liderança da escritora Laurita Lacerda, pediu a Epitácio Pessoa, então presidente da República, a autorização para a referida construção no Corcovado, cuja bênção da pedra fundamental se deu em 1922 e a inauguração, em 12 de outubro de 1931, sob os cuidados do Cardeal Sebastião Leme.

Isso posto, importa darmos a palavra ao Cardeal Dom Eusébio Scheid que, em 10 de outubro de 2006, escrevia: “É bom que todos os nossos amigos do Brasil e, especialmente, do Rio de Janeiro, saibam que esta obra foi financiada pelas doações de católicos, desde ricas damas da sociedade, até humildes trabalhadores. E, inclusive, há um pormenor: até indígenas ajudaram, com suas pequenas esmolas, para a construção do colossal monumento ao Cristo Redentor” (A Voz do Pastor).

Conta-se, inclusive, o fato de uma octogenária senhora que, na ausência de auxílios previdenciários, pedia esmola na porta da igreja para saldar seus modestos gastos. Como muitos a ajudavam, ela se propôs a doar o que recolhesse em um dos domingos às obras de construção do Cristo Redentor. E realmente o fez.

Terminada uma das Missas, a paupérrima senhora se dirigiu ao pároco com cinco mil e oitocentos réis que uma testemunha da comovente cena arredondou para seis mil réis, mas o padre tentou dissuadi-la da oferta, porém a velhinha não se deixou vencer e deu todo o valor – seu e da testemunha – ao sacerdote dizendo ser o “dinheiro da pobre para o Pai dos pobres”.

Outra testemunha tirou, então, dois mil réis do bolso e disse à humilde senhora: “Este te dou de prêmio por teu amor a Jesus; é para tuas necessidades!”, mas a velhinha, imediatamente, passou o valor ao sacerdote dizendo: “Pois, seu vigário, já agora são oito mil réis para o Monumento do Cristo do Corcovado. Eu prometi que daria o que hoje recebesse de esmolas. Ainda que a mim deem hoje um conto de réis, é tudo para o Cristo do Corcovado...” (Pergunte e Responderemos n. 536, fev. de 2007, p. 95s).

Tais cenas não podem ser esquecidas, de modo que a santa imagem não deve ser entregue a caprichos de terceiros – como querem os pleiteadores da tese segundo a qual o monumento feito pelos fiéis, absurdamente, não pertença, de fato e de direito, a eles –, mas, ao contrário, há de ser respeitada pelas pessoas de fé e também por todos os homens e mulheres de boa vontade que sabem ser tolerantes para com a religião alheia.

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