Sobre o Cristo Redentor do Rio de Janeiro (IV)

Qual a razão do brado inquisitorial dos envolvidos no filme "Rio, eu te amo" e contra quem ele se dirige? É contra a Arquidiocese do Rio de Janeiro que os produtores do filme se levantam.

Amparo, (Zenit.org) Vanderlei de Lima | 691 visitas

Após a Arquidiocese do Rio de Janeiro se negar a dar a licença para que cenas pouco dignas fossem filmadas junto ao Cristo Redentor, símbolo religioso de propriedade daquela Arquidiocese, o diretor do filme e um dos atores se voltaram contra a Igreja por meio de declarações ao jornal O Globo, do Rio de Janeiro, no dia 8 pp.

Tais declarações não podem ser levadas a sério por quem possua um pouco de cultura e exerça o mínimo de senso crítico. Parecem proceder de ignorância ou má-fé, mas visto que podem ser motivo de confusão, responderemos, neste artigo, às duas principais alegações dos entrevistados contra a Igreja.

1) “[...] como atesta a história da Igreja Católica, até dizer que o sol está no centro do sistema solar pode ser considerado crime hediondo, a ser punido com a morte na fogueira”. Respondemos que o autor da afirmação está enganado, pois, em suma, o fato é o seguinte: no século XVI, o cônego católico polonês Nicolau Copérnico (1473-1543) propôs a teoria segundo a qual o sol é o centro (heliocentrismo), ao redor do qual giram os demais planetas, inclusive a terra.

Essa teoria copernicana foi retomada e ampliada nas pesquisas de Galileu Galilei (1564-1642) que pretendeu elevá-la, sem as devidas experimentações, de mera teoria à verdade científica incontestável. Verdade que ele não conseguiu provar à comunidade acadêmica de seu tempo nem aos sábios jesuítas de então. Mereceu, por isso, reservas e censuras, pois suas conjecturas só foram elucidadas e provadas a contento por Leon de Foucault, em 1851, mesmo assim, este demonstrou que algumas das teses de Galileu eram desprovidas de valor científico.

Ele, no entanto, morreu católico, assistido pela Igreja que lhe conferiu os últimos sacramentos. Não teve fogueira alguma (cf. Thomas E. Woods Jr. Como a Igreja Católica construiu a Civilização Ocidental. São Paulo: Quadrante, 2008, p. 63-109).

2) “Usar camisinha durante a epidemia de Aids, ou mesmo ser homossexual, é pecado…”. Respondemos em dois pontos:

a) O preservativo não é o melhor caminho – do ponto de vista moral ou prático – pois, moralmente, entre não usar o preservativo e usá-lo (como “mal menor”) há a terceira opção que é a castidade: esta requer a fidelidade conjugal para os casados e a abstinência sexual para os solteiros, conforme o 6º Mandamento da Lei de Deus. No aspecto prático, para ficar apenas em um exemplo, citamos Edward Green, médico, antropólogo e, há 30 anos, uma das maiores autoridades mundiais no estudo das formas de combate à expansão da Aids. Ele dirige o Projeto de Investigação e Prevenção da Aids, do Centro de Estudos sobre População e Desenvolvimento da Universidade de Harvard e diz, sem reservas, que a confiança nos preservativo, em vez de diminuir, pode aumentar os contágios: “O que nós vemos, de fato, é uma associação entre o crescimento do uso da camisinha e um aumento significativo dos índices de infecção”(O Lutador, 21-30/04/09, p. 10).

b) Só afirma que a Igreja é contra a pessoa do homossexual quem fala sem saber o que diz ou, então, tem a clara intenção de faltar com a verdade. O Catecismo n. 2357-2359, com efeito, distingue entre o ato (nunca aceitável pela moral cristã) e a pessoa do homossexual. Se os atos “são contrários à lei natural, fecham o ato sexual ao dom da vida, não procedem duma verdadeira complementaridade afetiva sexual, não podem, em caso algum, ser aprovados”, mas os que têm tendências homossexuais “devem ser acolhidos com respeito, compaixão e delicadeza. Evitar-se-á, em relação a eles, qualquer sinal de discriminação injusta. Estas pessoas são chamadas a realizar na sua vida a vontade de Deus e, se forem cristãs, a unir ao sacrifício da cruz do Senhor as dificuldades que podem encontrar devido à sua condição”.

E mais: “As pessoas homossexuais são chamadas à castidade. Pelas virtudes do autodomínio, educadoras da liberdade interior, e, às vezes, pelo apoio duma amizade desinteressada, pela oração e pela graça sacramental, podem e devem aproximar-se, gradual e resolutamente, da perfeição cristã”.

Eis o que caberia esclarecer a respeito das censuras intolerantes feitas no jornal O Globo à Arquidiocese do Rio de Janeiro porque esta, elogiosamente, preservou a imagem do Cristo Redentor, seu patrimônio religioso e material, de ser aviltado nas cenas de um filme.

A quem desejar cumprimentar a Arquidiocese do Rio de Janeiro e seu Arcebispo, Cardeal Dom Orani, entre no site:

http://www.citizengo.org/pt-pt/9570-parabenizar-arquidiocese-do-rio-janeiro

Para ler os artigos anteriores:

Sobre o Cristo Redentor do Rio de Janeiro (I)

Sobre o Cristo Redentor do Rio de Janeiro (II)

Sobre o Cristo Redentor do Rio de Janeiro (III)