Somos contrários ao aborto porque amamos a vida e a humanidade

O Cardeal Sean OMalley explicou aos Cavaleiros de Colombo que temos que amar a todos, também aqueles que apoiam o aborto

Roma, (Zenit.org) Antonio Gaspari | 713 visitas

"Algumas pessoas pensam que o Santo Padre deveria falar mais sobre o aborto", disse o cardeal Sean O'Malley na 131ª convenção dos Cavaleiros de Colombo, em Santo Antonio, no Texas, dedicada ao tema “Sejam Protetores dos dons de Deus”.

De acordo com o Arcebispo de Boston, o Papa Francisco fala de amor e de misericórdia para dar a entender às pessoas o ensinamento da Igreja em matéria de aborto.

"Somos contra o aborto - disse ele - não porque estamos presos a um velho modo de ver, mas porque amamos as pessoas".

"Temos que ser pessoas melhores,-explicou o cardeal - temos que amar a todos, até aqueles que apoiam o aborto. Só se os amamos seremos capazes de ajudá-los a descobrir a sacralidade da vida de uma criança não ainda nascida. Só o amor e a misericórdia podem abrir os corações que foram endurecidos pelo individualismo da nossa época”.

O cardeal disse que "No mundo de hoje é preciso promover o modo de vida dos católicos", ainda que a nossa preocupação pelas crianças ainda não nascidas ou a sacralidade do matrimônio faça com que pareçamos bizarros e nadando contra a corrente da modernidade.

Este é o contexto no qual servem os testemunhos: os pais, os avós, os professores, os parentes, os jovens, os vizinhos de casa, que estão prontos para transmitir a fé.

"Papa Francisco - observou o cardeal - nos pede para amar e servir ao outro, especialmente os mais vulneráveis ​​entre nós."

De fato uma das palavras que o Papa Francisco repete muitas vezes é “ternura”.

Na festa de São José, o Bispo de Roma pediu para mostrar preocupação amorosa com todas as pessoas, especialmente pelas crianças, os anciãos, os necessitados.

"Não devemos ter medo da bondade ou da ternura”, repetiu o arcebispo de Boston, explicando que a ternura "não é a virtude dos fracos, mas um sinal de força e de amor, uma capacidade de preocupação e compaixão para uma verdadeira abertura para com os outros".

De acordo com o cardeal O'Malley, é isso que os católicos devem mostrar ao mundo.

Neste sentido, ele falou de um americano que foi para a África trabalhar com uma associação que distribuia comida.

O trabalhador americano relatou o desespero de tantas pessoas que sofriam de fome, mas o que mais lhe marcou foi uma menina de nove anos.

No final da fila para receber a ajuda tinha sobrado só uma banana, a menina a pegou, a descascou, deu metade ao seu irmão menor e a outra metade para a irmãzinha. Em seguida, ela lambeu a casca de banana.

A partir daquele momento eu comecei a acreditar em Deus, confessou o trabalhador americano.

"Os nossos esforços para curar as feridas da sociedade dependem da nossa capacidade de amar e de ser fieis à nossa missão", reiterou o cardeal.

Papa Francesco - acrescentou - está nos mostrando claramente que a nossa luta não é apenas uma batalha política ou um problema jurídico, mas é preciso evangelizar e humanizar a cultura, então o mundo será seguro para os nascituros, para os anciãos e para aqueles que são marcados como improdutivos. O Evangelho da vida é um Evangelho da Misericórdia”.

"Se queremos que o mundo de hoje nos escute – esclareceu – temos que dar prova da autenticidade da nossa vida e da nossa dedicação à construção de uma civilização do amor”.

"Somos chamados a viver a nossa vida - disse o cardeal O'Malley - como um serviço aos outros e devemos comprometer nossa vida para testemunhar a presença do amor e da misericórdia.

Tradução do Italiano por Thácio Siqueira