Somos missionários

Dom Orani João Tempesta, Arcebispo Metropolitano do Rio de Janeiro, reflete sobre as comemorações litúrgicas do mês de outubro e a missionariedade

Rio de Janeiro, (Zenit.org) Card. Dom Orani Tempesta, O.Cist. | 426 visitas

Com a festa de Santa Teresinha do Menino Jesus e da Sagrada Face, Doutora da Igreja, iniciamos o mês de outubro, que é dedicado às missões e ao rosário. Para nós, é também o mês da festa de Nossa Senhora da Penha que, do seu Santuário Arquidiocesano, intercede por esta cidade maravilhosa. A imagem peregrina que percorre os locais de trabalhos sociais em nossa Arquidiocese prepara a grande festa tradicional e antiga. São 378 anos de existência.

Este mês está repleto de comemorações litúrgicas que nos inundam no mistério do Cristo Redentor, cuja imagem do Corcovado foi inaugurada no dia 12. Mas recordamos com muito carinho da festa de São Francisco de Assis, a quatro de outubro, o santo que tem inspirado o querido e amado Papa Francisco a dar uma nova face à nossa amada Igreja, e que, inclusive, contará com uma sua visita especial à bela Assis, na região da Úmbria, na Itália. Celebraremos no dia12, aSolenidade de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, Rainha e Padroeira principal do Brasil; e, no segundo domingo de outubro, neste ano no dia13, afesta de Nossa Senhora de Nazaré, padroeira da Amazônia, com o famoso Círio de Nazaré em Belém do Grão Pará, quando mais de dois milhões de pessoas acompanham a berlinda levando a pequenina imagem da Rainha do povo paraense. No dia 7 é a memória de Nossa Senhora do Rosário, que marca também este mês e nos convida a contemplar os mistérios de nossa fé na oração do Terço. Aqui nós comemoramos com o evento “Senhora do Rosário” que acontece neste final de semana em nossa Catedral.

Aliás, este mês, com os dois temas: missões e rosário o que demonstra bem a mística da Igreja que se move entre a ação e contemplação, oração e trabalho. Embora tenhamos grupos especiais para cada situação de oração e missão, essa espiritualidade deve estar em nossas vidas. Só seremos bons e animados missionários se vivermos uma vida de intensa oração. E quem reza com o coração aberto como Santa Teresinha, amando a Igreja, é missionário pela intercessão, pois realiza a missão essencial para que o anúncio do Evangelho permeie a vida e o coração das pessoas. Por isso, temos dois patronos das missões: Santa Teresinha e São Francisco Xavier, significando essas duas faces do trabalho evangelizador da Igreja.

Para o dia Mundial das Missões, quando faremos a coleta nacional nessa intenção, o Papa Francisco enviou a mensagem sobre o tema da alegria em ser missionário. Será uma bela meditação ler e refletir as palavras do Santo Padre. Aqui no Brasil, este mês é um dos meses temáticos. Em consonância com os ecos da JMJRio 2013 e a Campanha da Fraternidade deste ano, o mês missionário de outubro de 2013 tem como Tema: Juventude em Missão. Lema: “A quem eu te enviar, irás” (Jr. 1, 7b). Alegra o nosso coração contemplar a Igreja toda continuando a refletir sobre a importância da juventude. Por isso, uma primavera missionária nos leva a considerar como fundamental na Igreja uma juventude que é o principal protagonista da missão por todos os recantos do mundo.

Os jovens são convocados pela Igreja para serem missionários, a levar adiante a caminhada missionária no mundo como um todo e não apenas em nossas estruturas paroquiais e diocesanas. Aliás, essa tem sido a insistência do Papa Francisco na questão da missionariedade.

A Campanha da Fraternidade deste ano nos levou a ver em Isaías, jovem profeta que se colocou à disposição de Deus para uma missão: mesmo que Isaías se sentisse pequeno, ele não titubeou, mas deu o seu sim incondicional: “Eis-me aqui, envia-me” (Is. 6, 8)

Por isso, nossa juventude é chamada a responder com entusiasmo, como pediu o Papa Francisco aqui no Rio de Janeiro: “A quem eu te enviar, irás” (Jr 1, 7b), a todo o mundo não só ao meu grupo, minha comunidade, “Ide e fazei discípulos a todos os povos”, (Mt. 12, 8).

O Papa Francisco, em sua mensagem para o Mês Missionário, assinada no dia 19 de maio deste ano, assim nos advertiu acerca da necessidade de sair das estruturas paroquiais e manifestar a nossa vocação missionária, particularmente contando com o entusiasmo dos jovens em idade e dos jovens de espírito, levando a Boa Nova de Jesus aos que vivem indiferentes à nossa fé, a este grande tesouro que não podemos guardar somente para nós: "Além disso, em áreas sempre mais amplas das regiões tradicionalmente cristãs, cresce o número daqueles que vivem alheios à fé, indiferentes à dimensão religiosa ou animados por outras crenças. Não raro, alguns batizados fazem opções de vida que os afastam da fé, tornando-os assim carecidos de uma 'nova evangelização'. A tudo isso se junta o fato de que larga parte da humanidade ainda não foi atingida pela Boa Nova de Jesus Cristo. Ademais, vivemos num momento de crise que atinge vários setores da existência, e não apenas os da economia, das finanças, da segurança alimentar, do meio ambiente, mas também os do sentido profundo da vida e dos valores fundamentais que a animam. A própria convivência humana está marcada por tensões e conflitos, que provocam insegurança e dificultam o caminho para uma paz estável".

Tenho relembrado sempre “da mudança de época” em que vivemos e da necessidade de uma adaptação missionária, como nos pede o Papa Francisco: "Nesta complexa situação, onde o horizonte do presente e do futuro parecem atravessados por nuvens ameaçadoras, torna-se ainda mais urgente levar corajosamente a todas as realidades o Evangelho de Cristo, que é anúncio de esperança, de reconciliação, de comunhão, anúncio da proximidade de Deus, da sua misericórdia, da sua salvação, anúncio de que a força do amor de Deus é capaz de vencer as trevas do mal e guiar pelo caminho do bem. O homem do nosso tempo necessita de uma luz segura que ilumine a sua estrada e que só o encontro com Cristo lhe pode dar. Com o nosso testemunho de amor, levemos a este mundo a esperança que nos dá a fé! A missionariedade da Igreja não é proselitismo, mas testemunho de vida que ilumina o caminho, que traz esperança e amor. A Igreja – repito mais uma vez – não é uma organização assistencial, uma empresa, uma ONG, mas uma comunidade de pessoas, animadas pela ação do Espírito Santo, que viveram e vivem a maravilha do encontro com Jesus Cristo e desejam partilhar esta experiência de profunda alegria, partilhar a Mensagem de salvação que o Senhor nos trouxe. É justamente o Espírito Santo que guia a Igreja neste caminho".

As Pontifícias Obras Missionárias do Brasil organizaram os vários subsídios da Campanha Missionária: o cartaz, a novena, o DVD com testemunhos, principalmente de jovens missionários, folhetos com as orações pelas missões, e envelopes para as ofertas no dia das Missões em favor das obras missionárias. Lembro a todos que a missão nunca olha somente ao nosso redor, mas ela se abre para o mundo, à universalidade. Jesus nos envia como discipúlos-missionários para todos os povos, nações, línguas e realidades. Que sejam despertadas em nossos corações nossa consciência missionária e a nossa vocação de informar, promover, animar a Igreja para que seja discípula e verdadeiramente missionária. Mãos missionárias a levar o Ressuscitado a todos os recantos do mundo!