Substituição da confissão individual pela comunitária é abuso, diz arcebispo

Deve ser facultado aos fiéis o direito de se confessar, diz Dom Eurico dos Santos Veloso

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Por Alexandre Ribeiro

JUIZ DE FORA, terça-feira, 18 de março de 2008 (ZENIT.org).- O arcebispo de Juiz de Fora (Minas Gerais, sudeste do Brasil) afirma que a substituição da confissão individual pela comunitária é um abuso.

Dom Eurico dos Santos Veloso comenta, em artigo enviado a Zenit essa segunda-feira, que «infelizmente, por descuido ou mesmo por falta de amor ao sacramento da confissão, em muitos lugares foi sendo substituída a confissão individual pela confissão comunitária». Mas «isso é um abuso», enfatiza.

Dom Eurico destaca que, como forma de preparação para a Páscoa, em sua arquidiocese foi realizado um mutirão de confissões, em que os sacerdotes de uma forania se reuniram para o atendimento de confissão individual dos fiéis, pois a estes «deve ser facultado o direito de se confessar».

O arcebispo de Juiz de Fora recorda que o Papa, há duas semanas, falou da importância da experiência do amor misericordioso de Deus expressado por meio da confissão.

Recordando o exemplo da pecadora perdoada no Evangelho, o Papa afirmou: «a quem muito ama, Deus tudo perdoa».«Quem confia em si mesmo e em seus próprios méritos fica cego por seu eu e seu coração endurece no pecado. Pelo contrário, quem reconhece que é fraco e pecador se encomenda a Deus e dele alcança a graça e o perdão».

Segundo Dom Eurico, Bento XVI faz um apelo aos sacerdotes, que os bispos também estendem ao clero: que os confessores «ressaltem o íntimo laço que se dá entre o sacramento da Reconciliação e uma vida orientada totalmente à conversão».

«Quem procura o confessionário deve estar aberto ao arrependimento, acusando os seus pecados de maneira livre e direta, pedindo o perdão sacramental e fazendo o bom propósito de não mais pecar», afirma Dom Eurico.

De acordo com o arcebispo, cabe ao confessor acolher bem quem se dispõe a buscar a reconciliação com Deus, com a Igreja e consigo mesmo.

«A predisposição de uma acolhida sincera não só pelo sacerdote, mas pela comunidade, providenciando formas especiais de acolhida, de preparação devida para a confissão, com um exame de consciência total, não tendo medo de colocar a mão nas suas feridas espirituais, temporais, familiares e até comunitárias.»

Dom Eurico diz esperar dos fiéis católicos que eles se confessem «de uma maneira transparente, como volta aos vínculos de Deus e da Igreja».