Sudão e Sudão do Sul devem evitar a guerra

É a advertência da Caritas Internacional

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ROMA, quarta-feira, 25 de abril de 2012 (ZENIT.org)- A Caritas Internacional teme uma guerra iminente entre o Sudão e o Sudão do Sul, com trágicas consequências humanitárias para ambos, a menos que eles interrompam a ação militar que está em curso.

O Sudão do Sul se separou do Sudão em julho passado, após referendo a favor da independência. Foi a culminação do Acordo de Paz Global de 2005, que acabou com duas décadas de guerra. Até agora, porém, as áreas de contenção que incluem a demarcação da fronteira, o status das áreas disputadas em Abyei, Kordofan Sul e Nilo Azul e os direitos sobre o petróleo não foram resolvidos. A confederação da Caritas, com mais de 160 agências de ajuda católicas, teme que os recentes enfrentamentos levem os dos países ao extremo.

Há preocupação também com o uso de uma retórica extremista pelos oficiais, que está incitando um clima de medo. Os ataques no Sudão contra os cristãos, como o saque da Igreja Presbiteriana Evangélica em Cartum no sábado passado, são profundamente preocupantes. Cerca de 500.000 sudaneses do sul vivem no Sudão. As relações entre os predominantes sudaneses muçulmanos e os cristãos sudaneses do sul continuam boas.

O secretário geral da Caritas Internacional, Michel Roy, afirma: "A Caritas apela ao Sudão e ao Sudão do Sul para interromperem as ações militares na fronteira. Não é tarde para os dois governos evitarem a guerra. A paz só pode ser conseguida na mesa de negociação e com a completa implementação do Acordo de Paz Global".

"A comunidade internacional fracassou na tarefa de evitar o risco iminente de guerra e precisa honrar seus compromissos para garantir que todos os temas pendentes sejam resolvidos pacificamente".

"Dois milhões de pessoas morreram na guerra passada. Todos serão perdedores em outro conflito. Os povos do Sudão e do Sudão do Sul desejam a paz. Seus governos e a comunidade internacional conseguiram grandes coisas ao acabar com a guerra, e não podem permitir que as conquistas se percam".

"Ambas partes devem exercer a moderação. Têm o dever, para com seu povo, de garantir a sua segurança. Isto inclui refrear a linguagem acalorada que incita à violência contra as minorias. A Caritas Internacional permanece em solidariedade com o povo do Sudão e do Sudão do Sul e está comprometida no apoio aos esforços da Igreja para proporcionar assistência humanitária e fomentar a paz entre as duas nações".

A Caritas Internacional procura mais informações depois que seu escritório Sudan Aid fechou as portas em Nyala, Darfur, obrigado pelas forças de segurança. O Sudan Aid faz parte dos esforços de ajuda a 500.000 pessoas em Darfur, onde distribui comida, água limpa, cuidados de saúde e outras formas de ajuda humanitária.

As organizações da Caritas têm operações no Sudão e no Sudão do Sul, incluindo planos de pré-emergência para enfrentar uma volta aos combates, o que provocaria uma grande onda de refugiados.