Superar o desequilíbrio global a partir da “Caritas in Veritate”

Afirma Dom Toso, secretário do Conselho Pontifício Justiça e Paz

| 1224 visitas

ROMA, sexta-feira, 2 de julho de 2010 (ZENIT.org) - O bispo secretário do Conselho Pontifício Justiça e Paz, Dom Mario Toso, considera que falta um novo projeto para superar os desequilíbrios globais que ouse pensar partindo das contribuições da encíclica Caritas in Veritate. Ele interveio na quinta-feira (24) no VII Simpósio Internacional de Professores Universitários, que aconteceu em Roma.

Dom Mario Toso falou sobre o tema Caritas in Veritate. Rumo a uma economia ao serviço da família, pessoa, sociedade, instituições.

O secretário mostrou-se convencido de que “a encíclica Caritas in Veritate pode se converter na carta magna de um empenho renovador das culturas e da concepção do desenvolvimento da família humana, além das relativas políticas e legislações, como foi a Rerum Novarum de Leão XIII, entre os séculos XIX e XX”.

“Em uma sociedade ‘líquido-moderna’ – acrescentou –, falando com a expressão de Zygmunt Bauman, Caritas in Veritate oferece esperança em um renascimento espiritual e moral, um suplemento de reflexão e bases de uma nova projeção capaz de superar os desequilíbrios globais”.

Na encíclica – destacou –, “encontram-se princípios de reflexão, critérios de julgamento, orientações práticas que exigem ser desenvolvidas e integradas desde o ponto de vista teórico-prático, da operativdade historicamente contextualizada”.

Por exemplo, ele destaca o número 32 do texto do Papa: “a dignidade da pessoa e as exigências da justiça requerem, sobretudo hoje, que as opções econômicas não façam aumentar, de forma excessiva e moralmente inaceitável, as diferenças de riqueza e que se continue a perseguir como prioritário o objectivo do acesso ao trabalho para todos".

Dom Toso enfatizou ainda do texto: "o aumento sistemático das desigualdades entre grupos sociais no interior de um mesmo país e entre as populações dos diversos países, ou seja, o aumento maciço da pobreza em sentido relativo, tende não só a minar a coesão social — e, por este caminho, põe em risco a democracia —, mas tem também um impacto negativo no plano económico com a progressiva corrosão do capital social', isto é, daquele conjunto de relações de confiança, de credibilidade, de respeito das regras, indispensáveis em qualquer convivência civil".

"Por isso, há que avaliar atentamente as consequências que podem ter sobre as pessoas as tendências actuais para uma economia a curto se não mesmo curtíssimo prazo. Isto requer uma nova e profunda reflexão sobre o sentido da economia e dos seus fins, bem como uma revisão profunda e clarividente do modelo de desenvolvimento, para se corrigirem as suas disfunções e desvios."

"Na realidade, exige-o o estado de saúde ecológica da terra; pede-o sobretudo a crise cultural e moral do homem, cujos sintomas são evidentes por toda a parte", citou o prelado.

(Nieves San Martín)