Superiora da ordem fundada por Madre Teresa: "todos sabem que é santa"

Comentários da Irmã Mary Prema no centenário do nascimento da beata

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ROMA, quinta-feira, 26 de agosto de 2010 (ZENIT.org) – Muitos falavam de uma aceleração no caminho até a canonização de Madre Teresa com motivo do centenário de seu nascimento, que é celebrado hoje, mas esta não é a prioridade para a Irmã Mary Prema, superiora geral da congregação fundada pela beata, as Missionárias da Caridade.

"Eu não acredito que isto seja tão importante – declara, em uma entrevista publicada pela agência Fides –. Todos sabem que ela é santa".

Segundo a religiosa, nem os hindus nem os cristãos, em Calcutá, ou onde estejam as Missionárias da Caridade, questionam a santidade de Madre Teresa.

"Todos esperam um milagre – explica, em referência ao milagre que a Igreja deve aprovar para canonizá-la –, mas a própria Madre Teresa era o milagre para o mundo e para a humanidade."

Ouvir Jesus

A religiosa, de origem alemã, explica que os ensinamentos de Madre Teresa às Missionárias da Caridade se resume em escutar Jesus e confiar-se à Providência.

A fundadora “nunca nos deu indicações sobre os programas futuros”, revela Madre Prema, mas “sua contínua exortação” era para que nos empenhássemos “em ser cada vez mais santas”.

Atualmente, a superiora geral compartilha com outras três religiosas a coordenação da ordem. Nesta tarefa “teve de aprender muito de nossa fundadora”, confessa.

Neste sentido, explica que Madre Teresa realizava em duas fazes o processo de tomada de decisões: “a primeira era deliberar e conhecer todas as possibilidades e as consequências (decision making); logo decidia (decision taking)”.

“Madre Teresa pensava cuidadosamente, depois se retirava e tomava a decisão”, acrescenta.

“As Missionárias da Caridade parecem uma grande organização, mas nós não fazemos programas para os próximos 10 anos – destaca –. Buscamos seguir abertos ao que Deus nos pede”.

“Só Jesus nos dirá qual é o próximo passo – continua –. Por isso, seguindo o espírito da Madre, não sou eu quem exerce o controle: é Deus quem toma as decisões.”

Tirar proveito do sofrimento

Na entrevista, a religiosa fala sobre o tema do sofrimento, bem conhecido por uma ordem dedicada aos enfermos e aos mais pobres.

“O sofrimento nem sempre é consequência de nossas decisões, também pode ser consequência da natureza frágil do ser humano”, constata.

Pode estar sendo provocado também por coisas que estão fora do nosso alcance, acrescenta, destacando como exemplos o terremoto do Haiti e as inundações do Paquistão.

A religiosa recorda a diferença que Madre Teresa faz do sofrimento físico e espiritual.

“Sobre o sofrimento da alma podemos reagir sobretudo com nossa oração – indica –. É importante que a graça divina toque as pessoas que vivem no sofrimento.”

“É também importante para nós rezar por isso: todos os dias nós oramos por uma hora diante da Eucaristia”, acrescenta.

“Para nosso trabalho isto é fundamental: de fato, não se trata de um compromisso social, mas de um verdadeiro compromisso missionário”, explica.

A vocação de Madre Teresa

A irmã Mary Prema se detém na forma do pensamento de Madre Teresa. “Mantinha sempre um ouvido aberto para os problemas do mundo”, recorda, e “era muito generosa com Deus e com quem sofria”.

“Madre Teresa desejava que todos conhecessem e amassem a Jesus – explica –. Estava convencida de que cada alma deseja a salvação de Jesus, independentemente de que fosse consciente ou não.”

“A obra da conversão, contudo, é sempre uma obra de Deus, observa, e afirma que “a Madre Teresa entendeu sua própria vida como a tarefa de amar a Jesus e transmitir esse amor a todas as pessoas em torno dela.”

“Madre Teresa pensava que Deus a havia chamado para cumprir um serviço autêntico e desinteressado ao homem, e a ter uma atenção absoluta diante da pessoa que sofre.”

“Não esteve jamais interessada em coisas grandes, não se ocupava em fazer publicidade ou coisas semelhantes – resume –. Em primeiro plano estava sempre ligada com a pessoa na forma individual.”

A religiosa foi testemunho de como Madre Teresa, “por meio de sua vida, seu trabalho, sua força atrativa, aproximava as pessoas de Deus”.

“Ela não pregava, mas com sua vida dava testemunho – garante –. Ainda hoje em dia muitos me contam de seu primeiro encontro com Madre Teresa.”

“Talvez tivessem estado com ela não mais de cinco minutos na varanda de nossa casa mãe – explica –. Mas esse único momento mudou suas vidas para sempre.”