Surpresa e emoção com a notícia da resignação de Bento XVI

D. António Marto, Bispo de Leiria-Fátima

Roma, (Zenit.org) | 1045 visitas

Confessando que recebeu a notícia da resignação de Bento XVI com “surpresa” e “emoção”, até pelos laços que o ligam à pessoa do Santo Padre, D. António Marto afirmou, em conferência de imprensa no Paço Episcopal, às 12h30 de hoje, que o anúncio não foi totalmente inesperado. “No livro-entrevista «Luz do Mundo», o Papa já tinha dado a entender que poderia vir a tomar esta decisão; só não esperava que fosse tão cedo, pensava que seria, talvez, no final do Ano da Fé”, no próximo mês de novembro.

“Este é um gesto que merece todo o respeito e, até, admiração, porque é de muita lucidez, coragem e humildade, de grande alcance histórico e para o futuro da Igreja”, considerou D. António. “O Santo Padre explica muito bem os motivos que o levaram a esta decisão, por sentir que a idade avançada e o limite das forças o impedem de cumprir adequadamente a missão papal, que requer grande vigor para fazer face a todos os problemas da Igreja”.

Referindo desconhecer as causas específicas para a decisão de Bento XVI nesta data, o Bispo de Leiria-Fátima recordou que aquando da visita do Papa a Fátima, em 2010, não notou sinais de debilidade física e que “nessa altura julgo que ainda não pensava nisso”.

Sobre o papado de Bento XVI, D. António considerou que “deixou a sua marca num período turbulento da história, de crise global de civilização e de cultura, que atinge os povos e não deixa imune a Igreja”. Sendo um “génio teológico”, com um “discurso simples, profundo e poético”, este Papa “chamou a Igreja ao essencial da fé, que é a grande questão hoje”, apontando “a beleza da fé” e “o encanto e a importância do cristianismo para a cultura e para a história” da humanidade. Por outro lado, este Papa “será lembrado” pelo seu “grande empenho pela transparência na vida da Igreja e pela purificação dos pecados dos filhos da Igreja”, bem como a sua “capacidade de escuta e de diálogo” e a “relação de cordialidade profunda com todos”, apesar de “não ter um grande dote de ‘ator’ como tinha João Paulo II”.

Essa é a imagem que guarda da sua própria relação com Joseph Ratzinger, que conheceu enquanto aluno, em Roma, aos 25 anos de idade.

O futuro… 

D. António lembrou ainda que “a vida da Igreja irá processar-se normalmente, pois quem guia a Igreja não é só o Papa, mas o Espírito Santo e os bispos que em cada diocese guiam o Povo de Deus”. E quanto ao novo Papa, não quis “fazer futurologia”, adiantando apenas que se espera para já uma reflexão sobre a própria vida da Igreja, “que não se reduz à Europa”, onde se regista uma “fase de cultura cansada, esgotada e que se reflete na vivência do cristianismo”. Isso “não se nota nem na África nem na América Latina”, considerou o Bispo, concluindo que “talvez precisemos de um Papa que seja capaz de olhar mais para além da Europa e trazer uma certa vitalidade que existe nos outros continentes para toda a Igreja”.

Tudo aponta para que haja “fumo branco” até à Páscoa, a 31 de março, segundo declarações do padre Frederico Lombardi, porta-voz do Vaticano, anunciando a reunião do conclave para 15 a 20 dias após a data da resignação anunciada por Bento XVI para o dia 28 de fevereiro.

A notícia foi divulgada pelo gabinete de informação e comunicação de Fátima após a coletiva de imprensa desta manhã.