Tendência ao totalitarismo na América Latina é «eticamente inaceitável», diz arcebispo

Dom Walmor Oliveira de Azevedo pede «reações lúcidas» ao fenômeno

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BELO HORIZONTE, sexta-feira, 23 de novembro de 2007 (ZENIT.org).- Segundo o presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Doutrina da Fé da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), a tendência ao totalitarismo que se percebe na América Latina atualmente é «eticamente inaceitável».



Em mensagem desta sexta-feira aos fiéis de sua arquidiocese, Belo Horizonte (Minas Gerais), Dom Walmor Oliveira de Azevedo afirma que o cenário latino-americano e caribenho «revela um quadro preocupante vivido neste momento».

Por um lado – explica –, «continua a enraizada tendência à corrupção nos funcionamentos da sociedade».

Segundo o arcebispo, é preciso erradicar esta «cultura mesquinha» «de ver gente, grupos e instituições trabalhando e manipulando em função dos seus interesses, em detrimento do bem comum e da nobreza de ver uma sociedade mais equilibrada socialmente».

Para além da chaga da corrupção, Dom Walmor Oliveira atenta para «os sinais de um déjàvu, com cheiro de totalitarismo, ressurgindo».

«Os bispos venezuelanos corajosamente declararam que esta tendência ao totalitarismo é eticamente inaceitável. A América Latina já teve, de maneira dolorosa e atravancadora do seu desenvolvimento global, momentos difíceis sob a égide de regimes ditatoriais monopartidários», afirma.

De acordo com o arcebispo de Belo Horizonte, «qualquer tendência totalitária é eticamente inaceitável, bem como é inaceitável que no cenário político não se levantem, mais fortemente, vozes para fazer oposição a este tipo de retrocesso».

«É hora de trabalhar decididamente para a desmontagem e impedimento de conceitos que contribuem para uma compreensão da organização sócio-política nos parâmetros da existência de um partido único, levando pessoas a uma interiorização fanática de uma ideologia.»

«Não fazer frente a isso como sociedade latino-americana e caribenha é abrir passagem, sem mais nem menos, para o uso sistemático e global do terror físico e psicológico, a existência de um líder que se assume como depositário e intérprete único da vontade e da ideologia de um partido», afirma.

Segundo o responsável pelo setor de Doutrina da Fé da CNBB, «há de se imaginar o quadro deprimente se religiosos, políticos, governantes, intelectuais, artistas, formadores de opinião e toda a sociedade permitirem um redesenho de um cenário político com as características do totalitarismo».

«A liderança de um chefe indiscutido, a utilização do terror, terceiros mandatos, um controle monolítico da economia, o uso manipulado da mídia, e outras coisas, são inadmissíveis porquanto ferem a autonomia da sociedade civil. A sensatez pede reações lúcidas nesta grave crise ética na política», escreve o arcebispo.