Teólogo é um enamorado de Deus, diz Papa

Encontro com a Comissão Teológica Internacional da qual foi presidente

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CIDADE DO VATICANO, segunda-feira, 6 de dezembro de 2010 (ZENIT.org) – A teologia é uma questão de amor a Deus, explicou, na última sexta-feira, o Papa aos membros da Comissão Teológica Internacional. Bento XVI falou a antigos conhecidos, já que, como cardeal, foi presidente da instituição que depende da Congregação para a Doutrina da Fé.

Para o Papa, que dedicou sua vida à teologia, o teólogo é, antes de tudo, um amante de Deus.

A teologia é verdadeira somente a partir do encontro com o Cristo ressuscitado, porque “nenhum sistema teológico pode subsistir se não for permeado pelo amor”. De fato – afirmou o Santo Padre – “quem descobriu em Cristo o amor de Deus, infundido pelo Espírito Santo em nossos corações, deseja conhecer melhor Aquele por quem é amado e que ama”.

“Conhecimento e amor sustentam-se reciprocamente. Como afirmaram os Padres da Igreja, quem ama Deus é impelido a tornar-se, num certo sentido, teólogo, alguém que fala com Deus, que pensa sobre Deus e busca pensar com Deus.”

Ao mesmo tempo, prossegui: “o trabalho profissional do teólogo é para alguns uma vocação de grande responsabilidade perante Cristo e a Igreja. Poder estudar profissionalmente o próprio Deus e poder falar disso, ensinar o que se contemplou, como dizia São Tomás de Aquino, ‘é um grande privilégio”.

Analisando a etimologia da palavra “teo-logia”, o Papa afirmou: “na teologia tentamos, através do logos, comunicar o que ‘vimos e ouvimos’. Mas sabemos bem que a palavra 'logos' possui um significado muito maior, que compreende também o sentido de ‘ratio’, ‘razão’”.

Bento XVI prosseguiu afirmando que a reflexão teológica ajuda o “diálogo com os fiéis de outras religiões e também com os não fiéis”, graças à sua racionalidade. De fato, “podemos pensar em Deus e comunicar aquilo que pensamos porque Ele dotou-nos de uma razão em harmonia com a sua natureza”.

Em tudo isso, os teólogos – para que o seu método seja verdadeiramente científico, além de proceder de modo racional – devem ser fiéis à natureza da fé eclesial, “sempre em continuidade e em diálogo com os fiéis e os teólogos que vieram antes de nós”, porque “o teólogo jamais começa do zero”.

O Papa ressaltou “a unidade indispensável que deve reinar entre teólogos e pastores”: “não se pode ser teólogo na solidão: os teólogos precisam do ministério dos Pastores da Igreja, como o Magistério precisa de teólogos que façam plenamente o seu serviço, com toda a ascese que isso implica”.

“Cristo morreu por todos, embora nem todos o saibam ou o aceitem” – observou o pontífice. Essa fé “nos leva ao serviço aos outros em nome de Cristo; em outras palavras, o compromisso social dos cristãos deriva necessariamente da manifestação do amor divino”.

A Comissão, cuja função consiste em ajudar a Santa Sé e especialmente a Congregação para a Doutrina da Fé a examinar questões doutrinais de maior importância, nasceu quando Paulo VI acolheu a proposta da primeira assembléia ordinária do Sínodo dos Bispos, em 11 de abril de 1969.