Ter emprego já não é garantia de ausência de pobreza

Seminário em Portugal discutiu situação dos trabalhadores na Europa

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ROMA, segunda-feira, 1º de fevereiro de 2010 (ZENIT.org).- Para a classe trabalhadora da Europa, ter um emprego “já não é garantia de ausência de pobreza”. Esta é uma das conclusões do seminário “Pobre apesar do Trabalho”, realizado entre 28 e 31 de janeiro em Guimarães (Portugal).

“A fronteira entre a precariedade laboral e a exclusão social tornou-se muito tênue, parecendo em muitos casos a mesma coisa, quando não é ainda mais exclusão do que precariedade”, afirma o comunicado divulgado pela LOC/MTC (Liga Operária Católica/Movimento de Trabalhadores Cristãos), organizadora do evento.

Segundo texto, existem países europeus onde os trabalhadores “têm salários tão baixos que necessitam ainda de um subsídio suplementar do Estado para poderem sobreviver”.

O Seminário advertiu do “progressivo aumento dos postos de trabalho mal remunerados, obrigando os trabalhadores a redimensionar os seus gastos, onde se destacam os cortes radicais na alimentação e na saúde”.

“Com a falta de rendimentos compatíveis com uma vida familiar condigna, esta situação leva à sua desestruturação, atingindo consequências de difícil solução, como o endividamento e a perda de habitação.”

O Seminário indicou algumas perversões que se verificam no âmbito trabalhista: “não dar possibilidade ao trabalhador de poder escolher o seu trabalho; obrigá-lo a deslocar-se dentro e fora do país; a ter mais que um trabalho para completar o salário que não chega para viver; a ficar ausente da sua família por largas temporadas; a aceitar tudo o que lhe é imposto com medo de perder o trabalho”.

“Qualquer modelo de trabalho deve permitir o desenvolvimento humano em todas as dimensões e, de uma forma particular, a cultural e espiritual”, afirma a LOC/MTC.

O Seminário indicou que para acabar com a pobreza daqueles que trabalham ou estão desempregados, “torna-se necessário introduzir um novo conceito de trabalho”.

É preciso “investir na ‘Inovação Social’ que permita uma melhor distribuição e contribua para que mais pessoas tenham acesso a este direito”.

“Só com a aposta em novas políticas e investimentos em setores como: social, ambiental e tecnológico é possível criar mais postos de trabalho e assim contribuir para fazer diminuir o grande número de desempregados.”

Os participantes do evento enfatizam que não são os salários baixos “que resolvem o problema do desemprego e da pobreza. Só com uma política de justas remunerações se impedirá de o trabalhador continuar a viver na pobreza”.